AMAZONAS
Enquanto Wilson Lima comemora queda de mortes, Covid sofre nova mutação no AM
O governador Wilson Lima gravou ontem (06-jul) um vídeo para as redes sociais onde comemora que não houve mortes por Covid nas últimas 24 horas no Amazonas.
Enquanto o governador celebra, pesquisadores brasileiros descobriram que a variante Gamma (antes denominada P.1 e descoberta originalmente no Amazonas) deu origem a três sublinhagens que já causam a maioria dos casos no Estado.
Os achados genômicos foram publicados no site Virological, um fórum de discussão internacional de pesquisadores na área de virologia.
“Nós temos aqui no Amazonas a circulação da variante P.1. O problema é que ela está passando por evolução. Nessa publicação, mostramos a emergência dessas três sublinhagens”, explica o virologista Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia e o responsável pela descoberta.
Mutações são evoluções naturais e contínuas do vírus em seu processo de multiplicação. Quando ela confere alguma vantagem na sua disseminação, tende a se tornar prevalente – como ocorreu com a Gamma.
Agora, a tendência é que o vírus circulante em áreas com altas taxas de imunidade busque evoluir para furar a barreira e infectar o ser humano.
Segundo o estudo publicado, as análises no Amazonas foram feitas com base em amostras até o final de maio passado. O resultado sugere que “essas sublinhagens da P.1 provavelmente continuarão a se espalhar nos próximos meses no Amazonas e em outros Estados brasileiros”.
Após causar o pico da epidemia no Amazonas, em janeiro, a variante Gamma se espalhou pelo País e se tornou prevalente, com 91% dos casos de Covid-19 no Brasil em maio – e 100% dos casos no Amazonas.
Cientistas preocupados com casos ainda em alta no AM
O Amazonas vem registrando número estável de casos desde março, após viver o pico da segunda onda. Entretanto, mantém uma média de aproximadamente 500 casos diários, o que chamou a atenção dos cientistas.
Uma das novas mutações encontradas no Amazonas é semelhante à variante Delta, descoberta pela primeira vez na Índia e que está associada a mais transmissão e possibilidade de mais hospitalizações no Reino Unido.
“A mutação P681H já tinha sido vista em outras amostras em São Paulo e Goiás, mas esse aumento visto no Amazonas é que chamou a atenção”, explica Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz.