MANAUS
Piloto diz que ventania, ondas que invadiram lancha e aglomeração na proa provocaram naufrágio em Manaus
Segundo o depoimento de Pedro José da Silva Gama à polícia, além das condições climáticas, o deslocamento de passageiros para a parte da frente da embarcação também contribuiu para o acidente.
O piloto da lancha Lima de Abreu XV disse em depoimento à Polícia Civil que o naufrágio, ocorrido nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus, foi provocado por uma ventania repentina, com ondas de até três metros, e pela movimentação de passageiros para a parte da frente da embarcação. O depoimento foi dado após sua prisão e obtido pelo g1 junto à Polícia.
A lancha de transporte, operada pela empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus rumo a Nova Olinda do Norte e naufragou no trajeto. Segundo os bombeiros, duas pessoas morreram, outras sete pessoas estão desaparecidas e 71 pessoas foram resgatadas. As causas do naufrágio ainda estão sendo investigadas.
O piloto, Pedro José da Silva Gama, foi detido logo após o resgate dos sobreviventes, mas liberado depois de pagar fiança. Ele vai responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Pedro José contou em depoimento que chegou por volta das 10h de quinta-feira (13) à Balsa Amarela, no Porto Manaus Moderna. Ele era o comandante da lancha Lima de Abreu XV e responsável pelo trajeto até o município de Nova Olinda do Norte.
Segundo o piloto, a embarcação saiu do porto por volta das 12h30 e seguia normalmente até o Encontro das Águas, quando começou uma ventania forte.
➡️ O Encontro das Águas é um dos fenômenos naturais mais famosos da Amazônia. Ele acontece quando os rios Negro e Solimões se encontram, mas seguem lado a lado por quilômetros sem se misturar.
Pedro José disse que reduziu a velocidade ao notar a mudança no tempo. Com o vento, passageiros teriam se desesperado e corrido para a parte da frente da lancha. Segundo ele, foi dada orientação para que todos retornassem aos assentos, para evitar que a embarcação inclinasse.
O piloto relatou que a lancha foi atingida por uma primeira onda, que conseguiu “cortar”. Na segunda, passageiros abriram a porta da proa, o que permitiu a entrada de grande volume de água na embarcação.
Com mais pessoas na frente, uma terceira onda atingiu a embarcação, que a teria coberto completamente, provocando o afundamento pela proa, segundo o depoimento do piloto.
Ele disse que determinou que os tripulantes distribuíssem coletes salva-vidas e que os passageiros foram para a parte de trás para saírem da lancha. Segundo o piloto, havia coletes para todos e a lotação estava dentro do limite permitido.
O piloto afirmou que um vendaval repentino continuou, gerando ondas de cerca de três metros, que quebraram os vidros da lancha.
Ele disse que os motores não apresentaram pane e que a embarcação afundou com os motores ainda em funcionamento. Segundo ele, as ondas continuaram fortes por mais de uma hora após o naufrágio, o que teria dificultado o resgate.
Ainda conforme o depoimento, o piloto relatou que o socorro demorou mais de 40 minutos por causa das condições climáticas.
Em nota, a defesa do piloto informa que desde o momento do ocorrido, ele permaneceu no local e prestou auxílio aos passageiros e tripulantes. Ainda destaca que ele colaborou de forma transparente para o esclarecimento dos fatos. Por fim, a defesa manifesta solidariedade às vítimas e familiares, e reforça que as causas do ocorrido ainda dependem de apuração técnica especializada.
Fonte: g1 AM