POLÍCIA

Veja como funciona o esquema criminoso que levou a polícia a deflagrar a operação “Erga Omnes”

A apuração revelou uma organização dividida por funções, envolvendo liderança operacional, empresas de fachada, movimentações financeiras milionárias e suposta influência sobre agentes públicos.

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Manaus (AM) — A Polícia Civil do Amazonas deflagrou na manhã desta sexta-feira (20) a operação Erga Omnes — expressão em latim que significa “contra todos” ,com o objetivo de desarticular um esquema criminoso investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional.

Segundo as investigações, o grupo é apontado como um núcleo estratégico ligado à facção Comando Vermelho (CV), com atuação estruturada no Amazonas e ramificações em outros estados.

A apuração revelou uma organização dividida por funções, envolvendo liderança operacional, empresas de fachada, movimentações financeiras milionárias e suposta influência sobre agentes públicos.

O líder e a estrutura de comando

No centro das investigações está Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como liderança do grupo no estado.

De acordo com a Polícia Civil, ele coordenava as atividades criminosas, administrava recursos financeiros e articulava contatos estratégicos. As investigações indicam que o investigado utilizava uma igreja na Zona Leste de Manaus como ponto de apoio e esconderijo, estratégia que teria servido para dificultar o monitoramento policial.

Vídeos e mensagens extraídos durante a investigação mostram o suspeito se vangloriando de supostamente ter influência sobre agentes públicos e afirmar que mantinha controle sobre determinadas estruturas.

Até o momento da deflagração da operação, ele era considerado foragido.


Empresas de fachada e lavagem de dinheiro

A investigação aponta que o grupo utilizava empresas formalmente constituídas para movimentar recursos ilícitos e dar aparência de legalidade aos valores oriundos do tráfico de drogas.

Entre as empresas citadas está A.F.S. Pinho Ltda., registrada em nome de Antônia Fabiane Silva Pinho, esposa de Allan Kleber Bezerra Lima. Segundo a polícia, a empresa teria sido usada para transações financeiras suspeitas, incluindo pagamentos relacionados à logística do grupo.

Relatórios financeiros apontam que mais de R$ 73 milhões teriam sido movimentados ao longo de aproximadamente sete anos por integrantes do esquema.

Suposta infiltração no poder público

Um dos pontos mais sensíveis da operação envolve a apuração de possível participação ou colaboração de agentes públicos.


Entre os nomes citados nas investigações estão:

  • Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida; apontada como possível intermediária entre o grupo criminoso e agentes públicos.
  • Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas.
  • Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa do Amazonas.
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior, citado por movimentações financeiras consideradas atípicas.
  • Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar.
  • Osimar Vieira Nascimento, policial militar.
  • Bruno Renato Gatinho Araújo, apontado como integrante do esquema.
  • Ronilson Xisto Jordão, preso no município de Itacoatiara.
  • Lucila Meireles Costa, presa no Piauí sob suspeita de se passar por advogada e repassar informações sigilosas.


Veja as imagens de alguns dos investigados:



As autoridades investigam se houve facilitação de informações, acesso indevido a dados sigilosos ou qualquer tipo de colaboração institucional em benefício da organização.

Todos os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Veja o momento em que ex-chefe de gabinete do prefeito é presa:

https://portalcorreioamazonense.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Video-2026-02-20-at-12.00.12.mp4


Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Civil, a estrutura criminosa operava em três principais frentes:

  • Tráfico de drogas:
    Compra de entorpecentes em regiões de fronteira, com entrada pelo Amazonas e redistribuição para outros estados.
  • Lavagem de dinheiro:
    Utilização de empresas de fachada para simular contratos, emitir notas fiscais e justificar movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada.
  • Influência institucional:
    Busca por informações privilegiadas, vazamentos de dados e possível proteção estratégica por meio de contatos dentro da estrutura pública


Medidas judiciais

A operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias, quebras de sigilo fiscal e sequestro de bens.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas.

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