POLÍTICA
PL no Amazonas vive dilema estratégico: manter três secretarias no governo Wilson Lima ou lançar chapa “puro sangue” em 2026
As anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro, divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, trouxeram à tona não apenas o índice de 80% de desaprovação ao governo de Wilson Lima, mas também um cenário que amplia o debate sobre o posicionamento do Partido Liberal no Amazonas.
Entre os registros atribuídos ao núcleo estratégico do partido aparece a observação de que o grupo político ligado ao presidente estadual da legenda, Alfredo Nascimento, ocupa três secretarias na estrutura do governo estadual. Uma delas, inclusive, estaria sob comando de seu irmão, Evilázio Nascimento.
A informação não aponta irregularidade, mas revela um dado político relevante: o PL mantém espaço significativo dentro da atual gestão.
O dilema: estrutura ou independência?
O cenário coloca o partido diante de uma decisão estratégica para 2026.
De um lado:
- Manter espaço administrativo dentro do governo;
- Preservar influência institucional;
- Sustentar a atual composição política.
De outro:
- Romper com o governo;
- Assumir postura de oposição;
- Construir uma chapa própria, sem vinculação à atual gestão.
A própria anotação “Perdemos se houver composição c/ Wilson” indica que, ao menos na leitura estratégica atribuída à cúpula nacional, uma aliança poderia representar custo eleitoral.
Nos bastidores, a leitura é de que uma eventual aliança formal com o governador poderia provocar a saída do vereador Sargento Salazar do partido.
Salazar é considerado uma das principais apostas da legenda para disputar a Câmara Federal em 2026 e há avaliações internas de que ele pode, inclusive, figurar entre os mais votados do pleito no Amazonas.
Se o número de 80% de desaprovação for a percepção consolidada internamente, o risco de desgaste por associação torna-se elemento central na equação.
A possibilidade de uma chapa “puro sangue”
Nos bastidores, cresce a discussão sobre a formação de uma chapa totalmente alinhada ao partido no estado.
Entre os nomes ventilados estão:
- Maria do Carmo para o Governo;
- Sargento Salazar como aposta para a Câmara Federal;
- Alberto Neto e Plínio Valério buscando protagonismo na disputa ao Senado.
A construção de uma chapa “puro sangue” significaria independência total do grupo político hoje instalado no governo estadual.
O peso de 2026
A decisão não é apenas administrativa é eleitoral.
Se o partido optar por manter as três secretarias e a estrutura dentro do governo, pode preservar espaço imediato, mas assumir o risco de carregar desgaste caso a desaprovação se confirme nas pesquisas públicas.
Se optar pelo rompimento e pela construção de uma chapa própria, enfrentará o desafio de reorganizar palanque e alianças, mas poderá apresentar discurso de renovação e independência.
O tabuleiro está aberto
A divulgação das anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro antecipa um debate que deve se intensificar nos próximos meses: o PL do Amazonas seguirá integrado ao governo Wilson Lima ou escolherá enfrentar o sistema com candidatura própria?
Com 2026 no horizonte, o partido terá que decidir entre estrutura e protagonismo.
E, na política, essa escolha costuma definir o tamanho da bancada e do poder no ciclo seguinte.