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Por que a Rússia está fora da Copa do Mundo de 2026 enquanto EUA e Irã seguem na disputa?

Mesmo com expansão da Copa de 2026 para 48 seleções, Rússia segue fora do torneio após ser suspensa pela Fifa em razão da guerra na Ucrânia

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Foto: Reuters

Nem mesmo a ampliação histórica da Copa do Mundo foi suficiente para garantir a presença da Rússia na edição de 2026. Com 48 seleções pela primeira vez, o torneio terá mais vagas do que nunca, mas os russos seguem impedidos de disputar competições organizadas pela Fifa em razão das sanções impostas após o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

A seleção russa segue suspensa das competições organizadas pela Fifa desde fevereiro de 2022, quando o país iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia. A medida foi adotada em conjunto com a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e permanece em vigor enquanto o conflito continua, sem previsão de revisão.

A punição não afeta apenas a equipe principal masculina. Todas as seleções russas, incluindo categorias de base e equipes femininas, foram excluídas dos torneios internacionais promovidos pelas entidades. Além disso, os clubes do país também estão impedidos de disputar competições europeias, como Champions League, Europa League e Conference League.

Quando a suspensão foi anunciada, a Rússia ainda disputava a repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. O adversário seria a Polônia, que já havia informado que não entraria em campo diante dos russos. Com a decisão da Fifa, os poloneses avançaram automaticamente para a fase seguinte por W.O., enquanto a equipe russa foi retirada da disputa.

Desde então, a seleção da Rússia ficou de fora de importantes competições internacionais. Além da Copa do Mundo do Catar, os russos não participaram da Eurocopa de 2024, da Liga das Nações da Uefa de 2024-2025 e também não estarão na Copa do Mundo de 2026.

Mesmo afastado dos torneios oficiais, o futebol russo não ficou completamente inativo. Nos últimos anos, a seleção passou a realizar partidas amistosas contra países que não aderiram às sanções esportivas impostas por Fifa e Uefa, mantendo uma agenda internacional limitada enquanto permanece excluída das competições oficiais.

Outros países em conflito seguem autorizados no Mundial

A suspensão imposta à Rússia não foi aplicada a todos os países envolvidos em conflitos armados. Outras nações que participam de guerras ou operações militares continuam aptas a disputar competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo de 2026.

Um dos exemplos é o próprio Estados Unidos, que é um dos anfitriões do Mundial. O país está em conflito com o Irã desde fevereiro deste ano e também atua, de forma direta ou indireta, em operações militares no Oriente Médio, incluindo ações relacionadas ao Iêmen e à Síria. Do outro lado, o Irã também integra o cenário de tensões na região e, mesmo assim, também está garantido na Copa. 

Apesar da presença das duas seleções no Mundial, o clima está longe de ser apenas de celebração entre os torcedores. Reportagem da Reuters mostra que parte da comunidade iraniana nos Estados Unidos vive um sentimento dividido entre o orgulho de ver a seleção nacional na Copa e a rejeição ao governo de Teerã, além da preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio. Há inclusive torcedores que decidiram não assistir aos jogos por razões políticas, enquanto outros relatam receio de que as tensões geopolíticas acabem afetando a experiência do torneio dentro e fora dos estádios.

Debate sobre a exclusão da Rússia

O debate sobre a exclusão da Rússia voltou à tona em março deste ano, quando o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se manifestou favoravelmente ao retorno do país às competições internacionais. Na avaliação do dirigente, a medida adotada em 2022 não alcançou os resultados desejados. “Essa proibição não alcançou nada, apenas criou mais frustração e ódio”, afirmou Infantino à Sky Sports.

As declarações provocaram reação imediata da Ucrânia. O ministro dos Esportes do país, Matvii Bidnyi, classificou os comentários como “irresponsáveis” e “infantis”. “Eles separam o futebol da realidade em que crianças estão sendo mortas”, declarou Bidnyi à Sky Sports. De acordo com a ONU, o conflito já provocou mais de 15 mil mortes ao longo dos últimos quatro anos.

Em 2025, a discussão já havia ganhado um novo capítulo envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca ao lado de Infantino, Trump foi informado por um jornalista de que a Rússia estava impedida de disputar a Copa do Mundo de 2026. Surpreso com a informação, questionou o dirigente da Fifa: “Eu não sabia disso. É mesmo?”.

“Eles estão proibidos de jogar por enquanto, mas esperamos que algo aconteça e que a paz se estabeleça para que a Rússia possa ser readmitida”, respondeu Infantino.

Na sequência, Trump sugeriu que a possibilidade de participação da Rússia no Mundial poderia funcionar como “um incentivo para a paz” no conflito com a Ucrânia.

Outros casos de exclusão no futebol internacional

A punição aplicada à Rússia não é inédita no esporte. Ao longo da história, a Fifa e outras organizações esportivas já afastaram países de competições internacionais em razão de guerras, sanções políticas ou violações de direitos humanos.

Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 1992, durante o processo de dissolução da Iugoslávia. Naquele período, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma série de sanções contra a então República Federal da Iugoslávia, formada por Sérvia e Montenegro, o que resultou na exclusão de seleções e clubes das competições internacionais.

Outro exemplo foi o da África do Sul durante o regime do apartheid. Em meio à pressão internacional contra o sistema de segregação racial que vigorou entre 1948 e 1994, o país permaneceu afastado por décadas de diversos eventos esportivos, incluindo torneios organizados pela Fifa.

Fonte: Portal Terra

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