MANAUS
Começa campanha de apoio a venezuelanos após terremoto
As doações podem ser entregues diariamente, das 8h às 18h, na sede da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, localizada na Avenida Sete de Setembro, nº 2.175, Centro, até o dia 20 de julho.
A solidariedade atravessou fronteiras e mobilizou instituições, voluntários e a população amazonense em uma corrente de ajuda às famílias afetadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela no fim de junho. Desde a última sexta-feira (3), a campanha “Solidariedade pela Venezuela” recebe doações de alimentos, água, medicamentos e itens de primeira necessidade na sede da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, no Centro da capital.
A iniciativa é promovida pelo Instituto Hermanitos, Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Arquidiocese de Manaus, Cáritas Diocesana de Roraima e Diocese de Roraima. Durante 20 dias, a ação pretende mobilizar as 97 paróquias e áreas missionárias da Arquidiocese, além de cerca de 200 voluntários responsáveis pelo recebimento, triagem, organização e preparação das cargas que seguirão até a fronteira brasileira antes de serem distribuídas às comunidades atingidas.
Corrente de solidariedade
De acordo com o coordenador operacional do Instituto Hermanitos, Xiosmel Ramon Herrera, a campanha nasceu da combinação entre a urgência humanitária enfrentada pelos venezuelanos e a disposição dos amazonenses em ajudar. A expectativa é arrecadar pelo menos 10 toneladas de donativos, que serão encaminhadas às regiões afetadas pelos tremores.
Herrera conta que, logo após os terremotos, muitas pessoas procuraram o instituto para saber como colaborar, o que motivou a articulação da campanha em parceria com a Cáritas.”A campanha surgiu a partir da necessidade do povo venezuelano depois dos terremotos, mas também da vontade da população manauara. Muitas pessoas chegavam perguntando o que iríamos fazer e, junto com a Cáritas, decidimos organizar essa ação”, afirmou.
Para o coordenador, a mobilização também reflete a proximidade entre os povos do Amazonas e da Venezuela. Ele avalia que o acolhimento prestado aos imigrantes venezuelanos nos últimos anos fortaleceu esse sentimento de empatia.
A iniciativa é promovida pelo Instituto Hermanitos, Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Arquidiocese de Manaus, Cáritas Diocesana de Roraima e Diocese de Roraima (Foto: Daniel Brandão/AC)”O povo amazonense é acolhedor e tem esse desejo de ajudar quem precisa. Como venezuelano, sempre ouço que o Amazonas também é grato pela ajuda que recebeu em outros momentos, mas acredito que essa solidariedade faz parte da essência do povo daqui”, destacou.
Situação ainda preocupa
A realidade das famílias venezuelanas ainda é de extrema vulnerabilidade. Com base em informações divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo governo da Venezuela, Herrera afirma que milhares de pessoas continuam desaparecidas, mortas ou feridas, embora os números ainda estejam sendo atualizados pelas autoridades locais.”A situação é desesperadora. Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas. Dados do próprio governo apontam mais de 2 mil mortos e 12 mil feridos, porém ainda não temos um dado definitivo”, relatou.
As regiões mais atingidas são La Guaira, Caracas, Carabobo, Maracay e Falcón, além de outras cidades que registraram danos estruturais graves provocados pelos tremores.
Neste momento, os itens mais necessários são medicamentos, alimentos não perecíveis, água potável, produtos de higiene pessoal, fraldas infantis e geriátricas, absorventes, máscaras, luvas e insumos médicos. Roupas, por enquanto, não estão sendo recebidas.
Logística até as famílias
Toda a logística da campanha foi organizada em parceria com a rede Cáritas para garantir que os donativos cheguem ao destino final de forma ágil.
As doações recebidas em Manaus serão encaminhadas inicialmente à Cáritas Diocesana de Roraima. Em seguida, seguirão até a fronteira brasileira, onde serão entregues à Cáritas Venezuela, responsável por distribuir os donativos em abrigos, hospitais e demais estruturas de apoio instaladas nas áreas afetadas.
Toda a logística da campanha foi organizada em parceria com a rede Cáritas para garantir que os donativos cheguem às famílias atingidas. (Foto: Cáritas Venezuela)
Solidariedade que transforma
A secretária executiva da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Daniele Rodrigues, reforça que a campanha depende do engajamento da sociedade para ampliar a arrecadação de donativos e garantir assistência às famílias atingidas pelos terremotos.”A população tem um papel fundamental nessa campanha. Contamos com a solidariedade de cada pessoa, porque toda doação faz diferença. Seja um quilo de alimento, água, medicamentos ou produtos de higiene, qualquer contribuição ajuda a levar esperança às famílias que estão sofrendo na Venezuela”, destacou.
Iniciativas independentes
Antes mesmo da mobilização oficial da campanha, a sociedade civil amazonense já havia iniciado uma rede de apoio em favor das vítimas. Segundo o Instituto Hermanitos, somente na primeira semana após a tragédia, foram enviadas mais de 50 toneladas de donativos por meio de ações independentes organizadas em Manaus.
Entre elas estão mobilizações promovidas pela Igreja Maranatha (no bairro Alvorada), pela empresa Emca Travel (localizada na Rodoviária de Manaus) e pelo restaurante Canaima Gourmet (no bairro Manoa), que continuam recebendo contribuições da população.
Como ajudar
As doações podem ser entregues diariamente, das 8h às 18h, na sede da Cáritas Arquidiocesana de Manaus (Avenida Sete de Setembro, nº 2.175, Centro), até o dia 20 de julho.
O que doar
- Água potável;
- Alimentos não perecíveis e enlatados;
- Medicamentos lacrados e no prazo de validade;
- Materiais de primeiros socorros;
- Produtos de higiene pessoal e limpeza;
- Fraldas descartáveis (geriátricas e infantis);
- Absorventes e insumos médicos.
Atenção: Roupas não estão sendo aceitas neste momento.
Além da arrecadação de donativos, a campanha também está cadastrando voluntários, instituições e grupos interessados em colaborar nas atividades de triagem, organização e logística. As inscrições podem ser feitas por meio do formulário disponibilizado pelos organizadores.
Fonte: A Crítica