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Mulher apontada como chefe de empresa de salto mandou funcionários apagarem imagens de câmera após acidente de jovem, diz testemunha

Investigação aponta que organizadora do grupo Entre Cordas ordenou a exclusão de vídeos após dois acidentes na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), incluindo a morte de Maria Eduarda de Freitas.

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Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico

Uma das responsáveis pelo grupo de saltos Entre Cordas teria orientado funcionários a apagar imagens gravadas por câmeras após acidentes ocorridos na Ponte do Esqueleto, segundo depoimentos reunidos pela Polícia Civil. A investigação apura a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump no local.

De acordo com uma testemunha, a ordem foi dada por Evelyne dos Santos, apontada pela investigação como organizadora da equipe e que se apresentava nas redes sociais como “CEO do Entre Cordas”. Ela está presa e foi indiciada, além de homicídio com dolo eventual, por fraude processual.

➡️ O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.

Segundo o inquérito, um funcionário afirmou ter recebido de Evelyne a ordem para recolher a câmera GoPro usada por Maria Eduarda, e apagar o vídeo gravado no momento do acidente. A jovem morreu em 13 de junho após ser lançada da ponte sem estar presa à corda de segurança.

A investigação também aponta que três testemunhas disseram ter visto alguém retirar a câmera de Maria Eduarda logo após a queda. Em depoimento, integrantes da equipe negaram saber onde estava o equipamento ou se a jovem o utilizava no momento do salto.

Os investigadores afirmam ainda que a tentativa de eliminar imagens não teria sido um caso isolado.

Uma ex-funcionária relatou, em mensagem de áudio anexada ao inquérito, que Evelyne também pediu que fossem apagadas as imagens de um acidente envolvendo um menino de 9 anos, ocorrido meses antes no mesmo local.

Segundo a testemunha, a orientação foi para que o vídeo não fosse enviado porque não se sabia qual seria a reação do pai da criança, que também trabalhava na equipe.

Acidente anterior

De acordo com a investigação, três meses antes de causarem a morte de Maria Eduarda, os organizadores de um grupo de “rope jump” clandestino presenciaram outro acidente na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo.

Em março, uma falha no sistema de debreagem — o mecanismo de freio da corda — quase tirou a vida de um menino de nove anos. O episódio deveria ter servido de alerta sobre os riscos da atividade antes da tragédia que motivou a conclusão de um inquérito policial nesta semana, mantendo quatro pessoas presas.

O acidente anterior ocorreu pouco após o garoto de nove anos e uma menina de sete posarem para um vídeo com equipamentos do grupo “Entre Cordas”. Luis Gustavo, que trabalhava na equipe e saltou ao mesmo tempo que o menino, relatou o momento da queda.

“O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás. Ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. Eu não ouvi o garotinho, tipo, gritar o ‘uhu’, que ele sempre gritava, a gente está feliz e tal. Eu comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele e, aí, quando eu olhei para o lado, ele estava no chão”, diz Gustavo.

O pai do menino também trabalhava no grupo e acompanhou o salto. Ele prestou depoimento à polícia como testemunha.

Apesar do aviso, a atividade continuou no mesmo local e, em 13 de junho, outro acidente teve resultado trágico. Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, foi jogada da ponte sem a corda de proteção que garante a segurança.

Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos provocados pela queda. Um vídeo gravado pelo celular da própria vítima confirmou que ela foi lançada sem o equipamento preso ao corpo.

Ocultação de provas e indiciamento

Com o encerramento do inquérito nesta semana, a Polícia Civil indiciou quatro pessoas por homicídio com dolo eventual, modalidade em que se assume o risco de matar: Evelyne dos Santos, apontada como chefe da equipe, além de Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, que aparecem nas imagens arremessando a jovem da estrutura.

Duas pessoas que haviam sido detidas inicialmente tiveram as prisões revogadas e foram soltas.

A investigação também apontou um padrão de tentativa de ocultação de provas nos dois casos. Pelo menos três testemunhas disseram ter visto uma pessoa retirar a câmera que estava com Maria Eduarda logo após a queda.

O funcionário Luis Gustavo admitiu que recebeu ordens diretas da organizadora para pegar o aparelho. “Ela falou: ‘Gustavinho, a gente precisa. Traz a câmera, a gente precisa dessa câmera, a gente precisa apagar o vídeo.’ Essas foram as palavras”, afirma Gustavo.

Uma mensagem de áudio enviada por outra ex-funcionária confirma que Evelyne fez a mesma exigência logo após o acidente com o menino de nove anos em março. Por conta disso, ela também responderá por fraude processual.

Fonte: Fantástico

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