MANAUS

Caos em Manaus deu origem a documentário sobre CPI da Covid

Durante uma hora e 29 minutos, o documentário aborda cenas inéditas dos bastidores da CPI da Covid-19

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Foto: Junio Matos

Lançado no último dia 2 de julho, o documentário Anatomia do Caos, que explora os bastidores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nasceu após a diretora Dandara Ferreira assistir as cenas do caos vivido em Manaus, na primeira onda da pandemia.

Após uma sessão especial, na quarta-feira, em Manaus, Dandara falou sobre a importância social do filme e a necessidade de que a memória seja revisitada como maneira de buscar justiça.

Diretora Dandara Ferreira (Meu Nome é Gal) participou de sessão especial no Cine Casarão, na quarta-feira

“Tenho dito que esse é um filme sobre memória, verdade e justiça, porque não podemos esquecer tudo o que aconteceu no nosso país. A gente não pode deixar que todos os mais de 700 mil brasileiros sejam esquecidos, porque não são apenas números”, disse.

Durante uma hora e 29 minutos, o documentário aborda cenas inéditas dos bastidores da CPI da Covid-19, que terminou com 80 pedidos de indiciamento, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-governador do Amazonas, Wilson Lima, e o ex-secretário de Saúde, Marcellus Campêlo. Em 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, mandou a Polícia Federal apurar resultados apontados pela CPI. Até o momento, não há indiciados.

(Foto: Agência Brasi)

 O filme retrata reuniões dos membros da CPI da Covid-19, incluindo os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), do Amazonas. Também estão presentes com destaque os senadores Randolfe Rodrigues (PT), Simone Tebet (MDB) e Eliziane Gama (PSD).

RESPONSABILIZAÇÃO

Um dos principais objetivos do filme, segundo a própria diretora, é rememorar o episódio para mostrar como há evidências claras de crimes, especialmente em relação ao ex-presidente Bolsonaro. Até hoje, nenhum dos nomes com pedido de indiciamento foi condenado por episódios relacionados à pandemia.

Na sessão especial, ocorrida no Cine Casarão, familiares de vítimas se emocionaram ao comentar o filme e lembrar que o sentimento de injustiça ainda persiste. A cientista social Lucinyer Omena, que perdeu o filho, o geógrafo Daniel Tiago Omena Melo, disse sentir revolta pela impunidade. “Eu preciso de justiça, preciso disso”, ressaltou em um dos momentos mais sensíveis do encontro.

Ao ser questionada sobre se ainda tem esperança na responsabilização dos envolvidos, a diretora lembrou que Bolsonaro está preso pela tentativa de golpe de Estado de 2023, mas destacou que a condução do país na pandemia também justifica uma punição. “Acho que essa revolta tem algo de positivo, que é fazer com que as pessoas falem sobre isso, de fazer a gente lutar, não desistir”.

Direito à memória é luta viva

Também participaram do debate as médicas Tatiane Aguiar e Uildeia Galvão, que atuaram na linha de frente da crise sanitária. Tatiane destacou que também é papel dos profissionais de saúde atuar na preservação da memória do período. “Não podemos deixar que as próximas gerações percam essa noção”, afirmou.

Uildeia, por sua vez, disse enxergar uma tentativa clara de apagamento sobre o que ocorreu durante a pandemia. Ela citou mudanças no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde trabalhou na época. “Viram que o 28 de Agosto está mudando de fachada, né? Já mudou de nome”, comentou.

Atualmente, tramita na Justiça Federal uma ação civil públicada apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) com cobrança de danos morais coletivos estimados em R$ 4 bilhhões, pedido oficial de desculpas e a construção de um memorial da covid-19 em Manaus.

A juíza Marília Gurgel Rocha de Paiva, da 9ª Vara Federal, determinou que os governos municipal, estadual e federal tomem medidas para acolher os parentes de vítimas e sobreviventes da crise de falta de oxigênio. Desde então, não houve movimentações públicas e o processo continua a aguardar sentença.

Fonte: A Crítica

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