POLÍCIA
Menino de 3 anos que morreu após ser espancado pelo pai teve ‘crânio achatado’, diz delegada
Caso ocorreu em Viamão (RS); o pai e a mãe da criança estão sendo investigados e foram presos pela Polícia Civil
As agressões sofridas pelo menino de 3 anos que morreu após ser espancado pelo pai em Viamão, região metropolitana de Porto Alegre (RS), chegaram a “movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio”. É o que afirma ao Terra a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que segue como responsável pela investigação. A criança chegou a ficar internada por dias em estado gravíssimo e morreu na última quarta-feira, 8.
As agressões em questão aconteceram no último dia 5, por volta de 6h30 da manhã. Segundo registros da ocorrência, o menino foi brutalmente agredido pelo pai no interior da casa da família em Viamão. A criança foi hospitalizada na cidade e chegou a ser encaminhada ao HPS de Porto Alegre devido à gravidade dos ferimentos. O pai do menino foi preso em flagrante no hospital. O menino não resistiu e morreu.
Foi instaurado um inquérito policial pelo crime de tentativa de homicídio duplamente qualificado, inicialmente tendo o pai como suspeito. Até que, segundo a delegada, o crime de tortura também passou a ser investigado — considerando que foram encontradas lesões nos quatro irmãos da criança. Assim, além do pai, a mãe também passou a ser alvo das investigações.
Outros filhos do casal, de 1, 5, 7 e 9 anos, foram encaminhados para perícia psíquica e física, e seguem protegidos por medidas de proteção, abrigados e sendo acompanhados pelo Conselho Tutelar.
O suspeito é norte-americano e a mulher é japonesa. Eles vieram dos Estados Unidos para o Brasil há cerca de nove anos e já moraram em diversos estados. “A família tem um grande histórico de violência, existindo registros policiais em SC e SP, bem como atendimentos dos Conselhos Tutelares. Todos indicando violências como ferramentas de punição”, explica a delegada.
Em 2024, por exemplo, há registros em Águas de Lindóia, no interior paulista, de que um dos filhos do casal teria sido agredido com um cinto pela mãe, ficando com diversas marcas pelo corpo. O argumento usado pelos pais é de que estariam disciplinando os filhos de forma rígida, segundo a delegada.
Por conta desse histórico, a mãe passou a ser investigada por conveniência aos atos de tortura e ao homicídio praticado contra o filho de três anos. Ela foi presa preventivamente na tarde de quinta-feira, 9.
“O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo – do quarto ao lado – e que sequer tivesse tentado conter o pai”, explica Luana Tamiozzo Medeiros.
A família está em Viamão há cerca de 7 meses e não tem outros familiares no Brasil. “Por ser uma família pobre, contavam com doações e ajuda de diversas pessoas da comunidade religiosa. Ele se diz missionário da Igreja Evangélica, porém nada foi confirmado até então, não havendo notícias sobre qual seria a igreja a que estivesse congregado”, complementa a polícia.
Apesar das violências e omissões em torno da figura da mãe, a Polícia do Rio Grande do Sul não descarta a possibilidade de a mulher também ser uma vítima da situação. “Há fortes indícios de violência doméstica contra a mulher, praticada pelo companheiro (pai das crianças) – e esses fatos serão devidamente apurados”, complementou a delegada.
Fonte: Portal Terra