AMAZONAS

Trabalhadores da construção civil rejeitam reajuste a anunciam greve para a próxima semana

Falta de acordo levou sindicato patronal a aprovar reajuste de 6%, mas representantes dos trabalhadores exigem mais benefícios

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Foto: Tiago Corrêa/Sedurb

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial do Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, o Sassá da Construção Civil, afirmou que a categoria paralisará as atividades na próxima quarta-feira (15) após não chegarem a um acordo com o sindicato patronal, que aprovou um reajuste de 6% na remuneração.

Segundo ele, diversos pedidos da categoria não foram atendidos pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM), incluindo planos de saúde, algo que já é comum na maioria das empresas em território nacional.

“Hoje, na construção civil, o trabalhador não tem nada, ele paga a consulta do bolso dele. Ele adoece no canteiro de obras e as empresas não ajudam o trabalhador. Eles só querem dar o incide de reajuste e a gente não vai aceitar isso”, disse.

Sassá informou que mais de 40 mil trabalhadores celetistas da construção civil irão parar as atividades na próxima quarta-feira, incluindo quem trabalha em montagens, obras públicas e particulares para pressionar por melhorias. Ele ressaltou que hoje há falta de profissionais da construção civil em regime de carteira assinada devido a menos vantagens do que quando se trabalha por conta própria no Amazonas.

“Um servente de pedreiro ganhava dois salários mínimos, hoje ele ganha um salário mínimo. Outras funções profissionais ganhavam três salários mínimos, hoje não ganham um salário e meio. E ficam alegando que está faltando profissionais nas obras, mas as pessoas preferem trabalhar por conta própria, que em um mês ganham R$ 7 mil, do que trabalhar no canteiro de obras ganhando de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil”, criticou.

Outro lado

Em nota divulgada às empresas do ramo, o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, informou que as tratativas para a nova convenção coletiva de trabalho da categoria “foram frustradas exclusivamente pelos representantes dos trabalhadores” após mais de seis rodadas de negociação entre os dias 9 de junho e 7 de julho.

Segundo ele, o impasse ocorreu pelas reivindicações trabalhistas, que representariam “aumento de custos incompatível com a realidade econômica do setor no Amazonas, especialmente diante das novas diretrizes tributárias que entrarão em vigor em 2027 e que imporão desafios adicionais à atividade produtiva no Estado”.

“O Sinduscon-AM, mesmo diante da frustração das negociações, concedeu reajuste salarial de 6% a partir de 1º de junho de 2026, percentual superior ao apurado pelo INPC do período – índice historicamente utilizado pelas partes para correção salarial – como demonstração inequívoca de boa-fé e compromisso com a valorização dos trabalhadores da categoria”, informou.

A entidade patronal destacou ainda que não está em comum acordo para a instauração de dissídio coletivo, processo instaurado na Justiça do Trabalho para solucionar impasses não resolvidos em negociações, já que “a recusa arbitrária em negociar partiu do Sindicato Laboral, tendo a parte patronal comparecido a todas as rodadas, apresentado propostas e concedido reajuste acima do índice de correção histórica”.

Fonte: A Crítica

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