POLÍCIA

Delegado é condenado pela 3ª vez por stalking contra ex-namorada e soma mais de 11 anos de prisão

Delegado Luis Tonini recebeu nova condenação por perseguir a ex-namorada e tentar invadir a residência dela; penas acumuladas ultrapassam 11 anos de prisão.

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O delegado da Polícia Civil do Acre, Luis Tonini, foi condenado pela terceira vez pela Justiça por crimes contra a ex-namorada. Desta vez, ele recebeu pena por descumprir medida protetiva de urgência e tentar invadir a residência da vítima.

A sentença fixou pena de 1 ano, 5 meses e 5 dias de detenção, em regime inicial aberto. Além disso, o magistrado determinou o pagamento de R$ 20 mil por danos morais, manteve as medidas protetivas e mandou comunicar a Corregedoria da Polícia Civil para avaliar eventual procedimento administrativo disciplinar.

Com a nova decisão, as penas impostas ao delegado ultrapassam 11 anos de prisão. O acusado pode recorrer em liberdade e nega os crimes.

Juiz aponta perseguição e planejamento

Na sentença, o juiz Robson Shelton Medeiros da Silva, da Vara Criminal de Epitaciolândia, afirmou que as provas mostram um comportamento contínuo de perseguição à vítima.

Segundo o processo, o delegado condenado passava com frequência em frente à residência da ex-namorada, permanecia em locais próximos e fazia ligações insistentes. Para o magistrado, essas atitudes demonstram desrespeito às medidas protetivas e à dignidade da vítima.

Além disso, a Justiça concluiu que a tentativa de invasão da residência ocorreu de forma planejada. Conforme os autos, Tonini estacionou o carro em uma rua paralela para evitar identificação. Depois, caminhou até o imóvel durante a noite e levou um objeto para atravessar a cerca de proteção.

Ao definir a pena, o juiz considerou desfavoráveis a conduta social, a personalidade, as circunstâncias e as consequências dos crimes. Também reconheceu agravantes pelo abuso da função pública e pelo contexto de violência doméstica contra a mulher.

Ainda de acordo com a decisão, a vítima passou a viver com medo constante. Ela reforçou a segurança da casa com grades e câmeras e iniciou acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Condenações ultrapassam 11 anos

A nova sentença se soma a outras duas condenações impostas ao delegado neste ano.

Em março, a Justiça condenou Tonini a mais de dois anos de prisão por perseguição (stalking), violência doméstica e ao pagamento de R$ 20 mil de indenização.

Já em maio, o delegado condenado recebeu pena de 8 anos, 3 meses e 12 dias de prisão, inicialmente em regime fechado, por perseguição qualificada, importunação sexual e descumprimento de medida protetiva. Além disso, a decisão determinou a perda do cargo público e o pagamento de nova indenização à vítima.

Ao todo, as três condenações ultrapassam 11 anos de prisão.

Caso começou em 2023

As investigações começaram em julho de 2023. Na época, Luis Tonini coordenava a Delegacia de Epitaciolândia.

Naquele mês, policiais prenderam o delegado em flagrante após ele tentar pular o muro da casa da ex-namorada, segundo a acusação. Dois dias depois, a Justiça concedeu liberdade provisória e impôs medidas cautelares, incluindo a proibição de contato com a vítima.

De acordo com o Ministério Público do Acre, Tonini perseguiu a ex-companheira durante meses. A denúncia aponta monitoramento da rotina, envio insistente de mensagens, vigilância próxima à residência, danos emocionais e importunação sexual.

Além disso, os promotores afirmam que o delegado utilizava terceiros para obter informações sobre a rotina da vítima e permanecia próximo aos locais frequentados por ela.

No episódio de importunação sexual, a Justiça concluiu que gravações e outras provas contradisseram a versão apresentada pelo acusado.

Defesa e posicionamento

Luis Tonini nega todos os crimes.

A reportagem procurou o delegado para comentar a nova condenação. No entanto, ele não respondeu até a publicação desta matéria.

Por sua vez, a Polícia Civil do Acre informou que não comentará o caso por considerá-lo uma questão de natureza pessoal do servidor. Além disso, afirmou que a Corregedoria-Geral colaborou com a Justiça sempre que foi solicitada e forneceu todas as informações necessárias durante os processos.

Fonte: Portal Em Tempo

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