MANAUS

Mais de 100 pessoas são atendidas após vazamento de gás em Manaus; três seguem internadas

SES-AM informou que todas as unidades de saúde da rede estadual permanecem de prontidão para atender pessoas que apresentem sintomas relacionados à exposição ao produto químico.

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Foto: William Duarte/Rede Amazônica

O vazamento de estireno, substância inflamável e tóxica, registrado na tarde de quarta-feira (15) na unidade 4 da Innova, no Distrito Industrial, em Manaus, levou 107 pessoas a procurarem atendimento na rede pública de saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), 104 pacientes já receberam alta médica e três permanecem internados. Não há informações sobre os sintomas nem sobre o estado de saúde dos pacientes.

O vazamento ocorreu em um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno da empresa Innova, no Distrito Industrial de Manaus. Nesta quinta (16), equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) seguiam no local para resfriar os tanques. Segundo os bombeiros, ainda havia liberação de vapores, em menor intensidade, durante o processo de controle da temperatura do material.

🔎 O estireno é um produto químico usado na fabricação de plásticos e borrachas. A substância pode evaporar quando aquecida e formar vapores com odor forte. A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dor de cabeça, tontura e náusea.

A SES-AM informou que todas as unidades de saúde da rede estadual permanecem de prontidão para atender pessoas que apresentem sintomas relacionados à exposição ao produto. A orientação é que quem sentir irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar ou outros sintomas, como desconforto abdominal, procure uma unidade de saúde e informe que os sinais surgiram após a ocorrência.

A Defesa Civil do Amazonas orienta a população a permanecer em locais abertos e bem ventilados, manter portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligar aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.

Quem estiver na área afetada ou nas proximidades deve se afastar imediatamente do local do vazamento e buscar uma área segura em outra região da cidade. O órgão também recomenda evitar transitar pelo Distrito Industrial I e áreas próximas até nova orientação das autoridades.

Morte é investigada

A secretaria também confirmou o registro de um caso grave envolvendo um paciente de 67 anos. Segundo a SES-AM, o homem tinha múltiplas comorbidades, entre elas doença pulmonar crônica e cardiopatia em estágio avançado. Ele relatou ter sentido o cheiro de estireno e morreu durante a madrugada.

Ainda de acordo com a secretaria, a equipe médica e a declaração de óbito não apontam, inicialmente, relação entre a morte e a inalação do gás. Mesmo assim, o caso foi encaminhado à Polícia Civil, que vai apurar as circunstâncias da morte.

Área isolada e investigação

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16), o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Muniz, informou que a área isolada após a ocorrência compreende um raio de 300 metros ao redor do tanque onde ocorreu o vazamento.

Segundo ele, a empresa localizada ao lado da Innova foi evacuada e o isolamento permanece mantido. Apenas equipes envolvidas na resposta à ocorrência, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Defesa Civil e órgãos de saúde, seguem com acesso ao local.

O comandante também informou que será realizada uma perícia para apurar as causas do incidente.

Sobre o que provocou o superaquecimento do produto, Muniz afirmou que a principal hipótese é uma reação espontânea no interior do tanque.

“Tudo caminha para uma reação espontânea no interior do tanque. Uma vez que a molécula do estireno se quebra, ocorre uma reação em cadeia que vai superaquecendo o produto”, explicou.

Segundo o comandante, caso as válvulas de segurança não fossem acionadas, a reação poderia provocar explosão ou incêndio.

“No caso específico da Innova, houve a liberação das válvulas de segurança do tanque. Foi isso que provocou o vazamento observado em jatos verticais, porque o produto estava submetido a alta pressão no interior do reservatório”, afirmou.

Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre eventual responsabilização da empresa pelo incidente.

Fonte: g1 AM

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