MANAUS

Igreja Presbiteriana decide que fiéis não devem participar do movimento ‘Legendários’

Decisão foi tomada em votação durante o Supremo Concílio da denominação, em Manaus. Resolução aponta que práticas do grupo são incompatíveis com a fé e a tradição reformada.

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Foto: Matheus Santos/Rede Amazônica

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou, nesta terça-feira (28), uma recomendação para que membros, diáconos, presbíteros e pastores não participem, nem apoiem o movimento “Legendários” e outros grupos com características semelhantes. A decisão foi tomada durante o Supremo Concílio, assembleia geral da igreja, realizada em Manaus, e faz parte de uma resolução sobre doutrina e prática da denominação.

🔎 A Igreja Presbiteriana é uma denominação cristã protestante de tradição reformada, baseada nos ensinamentos da Reforma Protestante do século XVI. No Brasil, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) é uma das principais representantes dessa tradição e reúne milhares de fiéis em todo o país.

A medida classifica as práticas do grupo como incompatíveis com a tradição histórica e a doutrina reformada. Segundo o documento aprovado, o “Legendários” adota metodologias “pragmáticas, neopentecostais e experienciais” que vão contra os princípios das Escrituras Sagradas e da organização da igreja.

A orientação atende a uma consulta interna iniciada por integrantes da igreja no Tocantins, que cobravam uma posição oficial e rígida contra a expansão do movimento nas comunidades locais.

Por meio de nota, o movimento humanitário Legendários esclareceu que a decisão do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) não estabelece qualquer proibição à participação de membros da denominação no movimento.

O movimento destaca que a deliberação aprovada consiste em uma recomendação para que cada igreja local avalie, de forma autônoma, a orientação a seus membros quanto à participação no Legendários.

IPB aponta isolamento e privação entre motivos da decisão

Para fundamentar a recomendação, a comissão teológica da IPB apontou desvios severos na metodologia usada pelo movimento. A igreja condenou o uso de isolamento na natureza e testes de resistência física e emocional como meios de formação espiritual, afirmando que essas dinâmicas de impacto psicológico reduzem o papel central da Bíblia e da rotina comunitária da denominação.

Além da privação física, o parecer aprovado no concílio criticou a mercantilização da fé e o sigilo em relação às atividades do grupo. A direção da IPB destacou que o uso de juramentos, uniformes padronizados, discursos motivacionais e técnicas de marketing transformam a vivência religiosa em uma “experiência de consumo”, além de provocar divisões internas entre os membros das igrejas locais.

O que é o ‘Legendários’

Criado na Guatemala em 2015 e presente no Brasil desde 2017, o “Legendários” é um movimento voltado exclusivamente para homens que promete “restaurar o potencial masculino”. A organização atrai empresários, atletas e políticos para desafios de imersão.

A principal atividade do grupo é um retiro de 72 horas em montanhas, com taxas cobradas por participante que giram em torno de R$ 1,5 mil. No período, os homens passam por privação e testes físicos sem contato com o mundo exterior, exatamente o formato que levou a Igreja Presbiteriana a proibir a adesão de seus fiéis.

Confira a nota do movimento Legendários no íntegra

O movimento humanitário Legendários esclarece que a decisão do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) não estabelece qualquer proibição à participação de membros da denominação no movimento.

A deliberação aprovada consiste em uma recomendação para que cada igreja local avalie, de forma autônoma, a orientação a seus membros quanto à participação no Legendários.

O documento oficial com a redação final da decisão será publicado ao longo desta semana. O movimento humanitário recebe essa publicação com serenidade e respeito, confiante de que ela contribuirá para esclarecer o tema.

O Legendários segue comprometido com seu propósito de fortalecer famílias, desenvolver lideranças e promover ações que gerem impacto positivo nas comunidades.

Presente em 24 países, o movimento humanitário reúne mais de 220 mil Legendários, unidos pelos princípios da centralidade de Cristo.

Fonte: g1 AM

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