INTERNACIONAL

Argentina descarta retaliação ao rebaixamento diplomático

Governo Milei afirma que não responderá à decisão do Brasil de rebaixar as relações diplomáticas, apesar do agravamento da crise entre os dois países

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Foto: Ricardo Stuckert/Presidência

A Argentina não vai adotar medidas em resposta ao rebaixamento das relações diplomáticas promovido pelo Brasil. A informação foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (5).

“Acreditamos que esse não é o caminho. Estamos sempre dispostos a manter as relações. Da nossa parte não haverá nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer. Nós continuaremos mantendo as relações no nível que o Brasil decidir”, afirmou Quirno.

Na entrevista coletiva desta quarta-feira (5), Quirno também reafirmou que Buenos Aires optou por não transformar divergências políticas em conflitos diplomáticos, apesar das trocas de críticas entre os governos nos últimos anos.

“Trata-se de uma decisão do Brasil de escalar questões que, para nós, não têm essa dimensão e que deveriam permanecer no campo ideológico e político, próprio de uma disputa eleitoral na qual estamos claramente em lados opostos quanto aos resultados desejados”, afirmou.

O ministro também rebateu acusações brasileiras sobre interferências em processos eleitorais. Como exemplo, citou a visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, em 2025, durante o período em que ela cumpria prisão domiciliar.

Quirno também recordou um episódio envolvendo a representação diplomática da Argentina na Venezuela. Segundo ele, o governo foi informado de que o Brasil deixaria de representar os interesses argentinos no país poucos dias após a retirada de Nicolás Maduro do posto pelo governo dos EUA, em janeiro de 2026, quando, segundo o chanceler, cidadãos argentinos e presos políticos estavam em “situação de risco”.

Na avaliação do ministro, esse episódio foi “muito mais grave” do que os acontecimentos recentes envolvendo Brasil e Argentina e demonstraria a forma como Brasília conduz sua política externa.

O chanceler ainda afirmou que o Brasil tem enfrentado atritos diplomáticos com outros países da região, citando o Paraguai, e sustentou que a crise atual não seria um problema exclusivo da relação bilateral com a Argentina.

CRISE CRESCENTE

Na terça-feira (4), o governo brasileiro comunicou à Argentina que as relações entre os dois países passarão a ser conduzidas em nível inferior. Com a decisão, apenas um encarregado de negócios permanecerá em Buenos Aires, enquanto o embaixador brasileiro retornará ao Brasil. A medida é inédita na relação diplomática entre os países vizinhos.

A decisão do governo brasileiro aprofunda o desgaste nas relações bilaterais. Desde que Javier Milei assumiu a Presidência da Argentina, ele e o presidente Lula não realizaram nenhum encontro bilateral oficial. Por outro lado, Milei participou da convenção do PL e mantém proximidade com o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o evento que oficializou Flávio como candidato à Presidência, Milei fez ataques ao presidente e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente argentino chamou Lula de “ex-presidiário”, declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e se referiu a Moraes como “lixo careca”.

Diante das declarações, o Brasil passou a adotar tom mais duro em relação ao governo argentino. Ainda assim, o governo Lula vinha evitando ampliar o conflito diplomático, mesmo que alguns ministros tenham escalado a tensão, como Dario Durigan, que chamou Milei de palhaço.

Nos últimos dias, Milei voltou a atacar Lula, chamando-o de “corrupto” e “ladrão”. Em resposta, o Itamaraty classificou as declarações como “infamantes” e “impropérios”. O presidente argentino também acusou o Brasil, o México e o Partido Democrata dos Estados Unidos de financiarem uma campanha “anti-Argentina”.

Fonte: SBT News

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