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Humorista é denunciado ao MP por associar Festival Parintins à transmissão de HIV

A representação formal foi protocolada pelo professor e pesquisador Gabriel Mota

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Foto: Reprodução Instagram

Manaus – O humorista Dunga Mesquita foi denunciado ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) após publicar um vídeo nas redes sociais onde associa o Festival Folclórico de Parintins à transmissão do vírus HIV. A representação formal foi registrada na Ouvidoria do órgão na quinta-feira (19), sob o protocolo nº 11.2026.00006283-9.

A denúncia foi protocolada pelo professor e pesquisador Gabriel Mota. No documento encaminhado ao órgão fiscalizador, o pesquisador aponta que o conteúdo, veiculado no perfil do Instagram do comediante, possui caráter discriminatório e gera estigma contra pessoas que vivem com HIV/Aids.

De acordo com a representação, o humorista faz piadas com a condição de pessoas soropositivas e afirma, sem qualquer base científica ou dados de órgãos de saúde, que o festival estaria diretamente ligado ao contágio pelo vírus.

A repercussão em torno do caso aumentou após uma reportagem do portal Amazônia Press revelar trechos do vídeo. Nas imagens, o comediante afirma que o Festival de Parintins representa “os três dias do ano que as pessoas mais contraem HIV”. Na mesma gravação, ele assegura — também sem citar fontes oficiais — que o município de Parintins ocuparia o segundo lugar no ranking de casos da infecção no estado do Amazonas.

A representação enviada ao MP-AM também detalha outros trechos considerados altamente ofensivos, como a expressão “boi soropositivo” — usada em tom de paródia ao festival —, além de comentários que associam pessoas que vivem com HIV à perda extrema de peso. Para o denunciante, as falas reforçam estigmas, propagam desinformação e alimentam o preconceito.

Diante disso, Gabriel Mota sustenta que a conduta do humorista pode configurar crime de discriminação, conforme a Lei nº 12.984/2014, que pune atos discriminatórios contra pessoas vivendo com HIV/Aids. O documento cita ainda possíveis crimes contra a honra, como calúnia e difamação, previstos no Código Penal brasileiro.

Ao Ministério Público, o pedido requer a abertura de uma notícia de fato, a identificação oficial do responsável pelo perfil junto à Meta (empresa controladora do Instagram), a preservação imediata do material digital e a apuração das responsabilidades nas esferas civil e criminal. O autor da denúncia informou que já guardou o arquivo original da publicação para servir como prova no decorrer das investigações.

VÍDEO/REPRODUÇÃO: @DUNGA.MESQUITA

Fonte: D24am

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