ENTRETENIMENTO
Twenty One Pilots bota fogo no Rock in Rio em show com cara de turnê e Zara Larsson brilha no Sunset
O Rock in Rio chegou ao fim em um domingo chuvoso, pronto para o público exigir um acordo melhor com a Fundação Cacique Cobra Coral na próxima edição. O mau tempo, no entanto, não atrapalhou os dois maiores públicos do dia: os fãs de Zara Larsson e os do Twenty One Pilots.
Dominado por cantoras, o último dia do festival teve o line-up mais desconjuntado da edição. Embora tenha focado no talento feminino, o topo do cartaz ocupado pelo Twenty One Pilots deixou transparecer que a dupla entrou como “tapa-buraco” de alguma artista que desistiu — entre os fãs, o rumor aponta para Ariana Grande. A disparidade de propostas ao longo da programação deixou no ar uma sensação de dia esvaziado na Cidade do Rock, com público separados por preferências, algo que funciona no Lollapalooza, por exemplo, mas não é a proposta do Rock in Rio.
Se por um lado tivemos Ivete Sangalo brilhando mais uma vez e fazendo uma excelente dobradinha com o show de Joelma, por outro, a ótima (e carismática) Lola Young ficou deslocada no Palco Mundo. Young combinaria muito mais em um dia com o Mumford & Sons, que também ficou sobrando no sábado, do que entre Ivete, Joelma e Marina Sena. O mesmo aconteceu com a enérgica Halsey, que até segurou o público por um tempo, mas na segunda metade viu uma debandada geral rumo ao Sunset, onde estava a grande estrela da noite.
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Diego Padilha/Rock in Rio
Com um público gigante no palco secundário — feito que lembra a apoteose do show de Ne-Yo na semana passada —, Zara Larsson mostrou por que era a atração mais aguardada do dia, mesmo sob bastante chuva. A cantora sueca entregou uma apresentação colorida, dançante e com energia de festa de encerramento que fez o Palco Sunset esquecer o aguaceiro. Coreografias e rebolados afiados eram acompanhados por uma plateia que cantava em plenos pulmões hits como “Ain’t My Fault” e “Never Forget You”.
Com a multidão já hipnotizada, Zara cantou “Stateside”, parceria com PinkPantheress, e chegou ao momento mais esperado: o convite para a fã que subiria ao palco para a coreografia viral de “Lush Life”. Sucesso absoluto, a cantora ainda pintou uma camiseta com um coração, falou um inglês pausado para ser compreendida e fez a plateia vibrar — com direito a pose de golfinho — na reprise de “Midnight Sun”. Um show potente e vibrante, que consolida Larsson como uma artista madura e pronta para comandar palcos principais. Algo que deveria ter acontecido caso o festival realmente tenha perdido sua headliner “misteriosa”.
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Reprodução/Multishow
Quando o show do Sunset terminou, foi impressionantemente fácil caminhar até perto do Palco Mundo para o ato final do Rock in Rio 2026. Isso não significa que o gramado principal estivesse vazio, mas a diferença em relação aos outros dias era visível. Os fãs do Twenty One Pilots — que desde cedo circulavam com as camisetas do duo formado por Tyler Joseph e Josh Dun, mãos e pescoço pintados de preto e toucas no estilo do vocalista — provaram sua fidelidade e encararam a tempestade que apertou já na madrugada.
Assim como Zara Larsson, Tyler e Josh, estreantes no festival, entregaram um show potente, maduro e sem quedas de energia. Os fãs responderam cantando alto, pulando e sustentando o vocalista em uma plataforma logo no início da apresentação. A dupla não deixou por menos e descarregou seu rock com rap performático com a segurança de quem tem estofo para fechar um festival desse porte.
A dinâmica entre os dois torna tudo ainda mais interessante: Josh comanda uma bateria que transita da fúria do rock ao balanço de ritmos dançantes, enquanto Tyler desdobra-se no palco. Toca violão e baixo, pula, gira o microfone, brinca com a plateia e até faz piada questionando se os fãs de Zara Larsson (a artista favorita de sua filha, segundo ele) migraram para o show deles. Um frontman completo, performático na medida certa. O salto de evolução é notável desde a passagem da dupla pelo Lollapalooza 2016 — ocasião em que, curiosamente, o Mumford & Sons também tocou no dia anterior.
Com “Overcompensate”, “Tear in My Heart”, “One Way”, “RAWFEAR”, “Stressed Out” e o cover de “Seven Nation Army”, cada música foi entoada com força, reafirmando que o Twenty One Pilots é uma banda pronta para momentos de apoteose. É interessante observar o paralelo entre a dupla e Larsson: artistas jovens que se provam capacitados para ser a nova cara de festivais como o Rock in Rio, que clama por renovação no topo de seu line-up.
Fica a cobrança ao próprio festival para que a próxima edição seja desenhada valorizando adequadamente talentos como Larsson, Twenty One Pilots, Lola Young, além das pratas da casa, como Ivete e Joelma. Foi um domingo de grandes apresentações, mas que pareciam pertencer a festivais diferentes dentro do mesmo fim de semana. Daqui a dois anos tem mais e veremos.
Fonte: Omelete
