AMAZONAS
Escola Abandonada: alunos estudam entre morcegos e madeira podre em escola da zona rural
Crianças de uma escola na zona rural de Manaus continuam a frequentar salas com madeira podre, infiltrações e até presença de morcegos, segundo reportagem original e relatos locais.
A precariedade não é caso isolado: dados oficiais e fiscalizações recentes confirmam um quadro mais amplo de fragilidade na infraestrutura escolar municipal em especial nas unidades rurais e apontam para falhas na manutenção e na governança da Secretaria Municipal de Educação (SEMED).

Dados que não podem ser ignorados
A Prefeitura de Manaus informa que a rede municipal conta com 516 unidades de ensino em funcionamento para 2025 número que demonstra a dimensão da responsabilidade de manutenção e fiscalização da administração municipal.
Prefeitura de Manaus
No Orçamento do Município para 2025 (LOA), a previsão geral de receitas foi estimada em cerca de R$ 10,5 bilhões, com a educação recebendo fatia relevante dos recursos municipais (programação orçamentária aponta centenas de milhões destinados ao setor; no projeto orçamentário municipal constam linhas específicas para manutenção e desenvolvimento do ensino). Esses números tornam ainda mais pertinente a pergunta: por que estruturas básicas continuam em risco?.
Relatórios e fiscalizações recentes do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e ações do Ministério Público mostram que inspeções em escolas municipais (incluindo unidades rurais) já vinham encontrando problemas que requerem ações imediatas de recuperação. Em 2025 o TCE-AM anunciou inspeções em várias unidades e parcerias com o MP para vistoriar escolas.

O caso da escola: risco imediato à saúde e ao aprendizado
A vistoria documentada pela reportagem mostrou: forros com buracos, tábuas apodrecidas que ameaçam o piso, janelas quebradas e focos de presença de morcegos situação que expõe crianças e profissionais a riscos sanitários e físicos. Pais relataram episódios de medo e alergias entre alunos; professores reclamam da falta de materiais e do tempo perdido tentando conter os problemas estruturais durante as aulas.
A SEMED foi acionada pela reportagem, mas não apresentou até a publicação desta matéria um cronograma público detalhado de reparos, previsão de realocação de turmas ou medidas emergenciais para proteger os estudantes. A omissão institucional agrava o impacto real: a escola é centro de convívio, merenda e aprendizagem e sua condição deteriorada compromete toda a comunidade.

Recomendação técnica e demandas imediatas
Especialistas em segurança escolar e saúde pública apontam medidas que a Prefeitura/SEMED deveriam adotar imediatamente:
Intervenção emergencial na unidade afetada: reparos estruturais provisórios (reforço de piso, isolamento de áreas, retirada de morcegos com controle sanitário); realocar turmas, se necessário.
Vistoria sanitária imediata (Vigilância Sanitária + Educação) para aferir riscos e emitir laudos.
Cronograma público de manutenção preventiva para todas as 516 unidades, com prioridade para as 18+ unidades já mapeadas em auditorias e vistorias.
Auditoria de gastos: abertura de procedimento para detalhar contratos de manutenção, pequenas obras e aquisições nos últimos 24 meses.
O espaço está aberto para a Secretaria Municipal de Educação se manifestar.
