ESPORTES
Nascimento da canarinho: uniforme da seleção brasileira foi criado por jovem de 18 anos em concurso após trauma do Maracanaço
Até a Copa de 1950, uniforme do Brasil tinha camisa e calções brancos. Derrota para o Uruguai no Maracanã fez com que a CBD, atual CBF, fizesse concurso para adotar novo fardamento.
O ano era 1953. O Brasil ainda amargava a derrota em casa em plena final de Copa do Mundo de 1950, no Maracanaço. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje CBF, decidiu se livrar de tudo que remetesse à derrota para o Uruguai, inclusive a camisa branca usada pela seleção até então: a partir dali, o Brasil teria um novo uniforme.
⚽👕 Naquela tarde de 16 de julho de 1950, quando perdeu por 2×1 para o Uruguai de Alcides Ghiggia, o Brasil entrou em campo com a camisa, calção e meiões brancas, com detalhes azuis na gola, na manga e nas meias.
Após a derrota, a CBD e o diário Correio da Manhã lançaram um concurso nacional para escolher a nova vestimenta brasileira. Dentre os modelos recebidos, o esboçado por um desenhista gaúcho de apenas 18 anos se destacou.
Assim, Aldyr Schlee se tornaria o “pai da Amarelinha”. Ele enviou ao periódico um modelo inovador para a época: uma camisa que levava um amarelo vivo com detalhes verdes na gola e nas mangas, um calção azul com detalhes em branco nas laterais e meias brancas com detalhes em verde e amarelo.
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Esboço original da camisa canarinho feito por Aldyr Schlee — Foto: Vinícius Guerreiro/GE
Estava feito. No ano seguinte, em 1954, enquanto as seleções se preparam para a disputa do mundial de 1954, na Suíça, o Correio da Manhã estampava em sua manchete: “O NOVO UNIFORME DA SELEÇÃO: Reprodução exata das tonalidades e desenho do modelo vencedor do concurso patrocinado pela CBD e idealizado pelo ‘Correio da Manhã’”.
A novidade também foi destaque do jornal Manchete. Veja abaixo.
“Entre todas as sugestões enviadas, foi premiada a do sr. Aldyr Garcia Schlee, da cidade gaúcha de Pelotas. O novo uniforme, que será estreado contra o Chile, nas eliminatórias da Copa, consta de camisa amarelo-ouro com punhos e gola verdes; calção azul-cobalto com listra branca. Meias brancas com friso verde-amarelo”, completa.
Schlee morreu em 2018, aos 83 anos, em Pelotas, onde vivia. Ele lutava contra um câncer de pele desde 2012. Saiba mais abaixo.
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Esboço de Aldy Shclee para o concurso promovido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para escolher o novo uniforme da seleção — Foto: Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
Desenhista, escritor, jornalista e professor: quem era Aldyr Schlee
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Aldyr Schlee, criador do uniforme da seleção brasileira — Foto: Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
O jovem Aldyr Schlee possuía um talento inegável para o desenho. Mas aquele adolescente cresceu e quis ser mais do que o criador do uniforme da seleção brasileira.
“Entre tantas coisas que ele fez na vida, ele fez isso também. O pai foi um jornalista importante, ganhou Prêmio Esso de jornalismo, bem novo também. Ainda foi um professor muito importante aqui em Pelotas, professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)”, conta o filho, que também se chama Aldyr Schlee, em homenagem ao pai.
“Ganhou a Ordem do Mérito Cultural das mãos da (ex-presidente) Dilma (Rousseff), ganhou sete vezes o Prêmio Açorianos de Literatura, duas Bienais, ganhou um fato literário com o livro Don Frutos”, segue.
“Essas coisas eram muito mais importantes para ele do que a questão da camiseta”, define o filho.
Nascido em Jaguarão, Schlee foi escritor, jornalista, desenhista e professor. Ele recebeu o prêmio Açorianos de Literatura, em 2011, na categoria narrativa longa com o romance “Don Frutos”. Neste ano, ele foi homenageado, junto com Lya Luft, pelo conjunto da obra.
Fonte: g1
