INTERNACIONAL
Israel prepara grande operação militar na Cisjordânia após mortes
Quatro palestinos e dois israelenses morreram durante confronto; ministro de Israel pede destruição de vilas palestinas
As Forças Armadas de Israel iniciaram nesta sexta-feira (24) preparativos para uma operação em larga escala na Cisjordânia, após a morte de quatro palestinos e dois israelenses em confrontos na região.
O Exército informou que um grupo de colonos entrou em uma área da Cisjordânia restrita a civis israelenses nesta sexta para uma “caminhada não autorizada e não coordenada”.
À medida que o grupo se aproximava da vila palestina de Tell, eclodiram confrontos entre os colonos e os moradores locais.
Na troca de tiros que se seguiu, quatro palestinos e dois soldados israelenses — um dos quais também era colono — foram mortos.
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, defendeu a demolição de vilas palestinas na região em resposta às mortes dos israelenses.
“A população deve ser evacuada para sua própria proteção, e essas vilas precisam ser limpas de infraestrutura terrorista e de terroristas, a fim de restaurar a capacidade de dissuasão e a segurança na área”, declarou.
Um vídeo mostra soldados e colonos israelenses armados aparentemente forçando a saída de palestinos da área, enquanto gritos de “vingança” em hebraico são ouvidos ao fundo.
Um colono armado se aproxima de dois homens palestinos, aparentemente tentando usar seu fuzil para afastá-los; é possível ver um dos palestinos segurando a correia da arma.
Alguns segundos depois, quando o vídeo volta a focar no conflito, um dos homens palestinos aparece segurando a arma. Ouve-se o som de pelo menos uma dúzia de disparos vindos do que parecem ser vários locais diferentes.
As forças militares informaram que o palestino tomou a arma de um agente de segurança do assentamento vizinho de Havat Gilad. O agente foi morto no caso, segundo a corporação.
Os militares afirmaram que um segundo soldado também morreu durante o ocorrido. Não está claro se o caso registrado no vídeo mostra o momento exato em que os agentes foram mortos.
O Ministério da Saúde palestino declarou que os quatro palestinos mortos foram baleados por soldados israelenses.
Walid Zeiden, líder do comitê da vila de Tell, disse que todos pertenciam à mesma família, sendo dois irmãos e dois primos. Pelo menos outras três pessoas ficaram feridas por disparos israelenses, acrescentou o Ministério da Saúde.
Em declaração, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou aos militares que acelerassem o estabelecimento de mais postos avançados de assentamentos ou fazendas na área e a legalização dos existentes.
Israel impõe toque de recolher
As FDI (Forças de Defesa de Israel) anunciaram a imposição de um toque de recolher nas aldeias palestinas de Tell e Bureij, bem como no assentamento judaico vizinho de Shiloh.
Apesar de vídeos do caso mostrarem uma discussão que saiu de controle e de os militares israelenses reconhecerem que a morte dos israelenses não foi planejada com antecedência, as FDI estão tratando o episódio como um ataque terrorista e anunciaram uma operação de “grande escala” na região para capturar “dezenas de palestinos” envolvidos.
Os militares informaram que cancelaram as licenças dos soldados que atuam na região e que se preparavam para enviar reforços.
Em meio a relatos de ataques e incursões de colonos em vilarejos palestinos da área, as FDI manifestaram preocupação com a possibilidade de violência por parte dos colonos.
Violência de colonos se alastra na Cisjordânia
Ataques de colonos continuaram em áreas próximas na Cisjordânia, incluindo nas localidades de Faraata, Imatin, Jit e Iraq Burin, bem como na região de Masafer Yatta, em Hebron.
Vídeos e fotos obtidos pela CNN junto a moradores de Faraata mostram colonos incendiando casas, carros e estabelecimentos comerciais na localidade. Em uma área da cidade, colonos picharam a palavra “vingança” em muros e arrancaram um olival utilizando duas escavadeiras.
O Crescente Vermelho Palestino informou, na tarde desta sexta, que oito pessoas ficaram feridas no ataque em Faraata, sendo que seis delas estão hospitalizadas com ferimentos a bala.
Os colonatos na Cisjordânia são considerados ilegais pelo direito internacional e pela maior parte da comunidade internacional e da ONU, mas os colonos estabeleceram com sucesso dezenas de postos avançados não autorizados nos últimos anos e acabaram por obter aprovações do governo de Israel.
O caso desta sexta-feira ocorre em meio a uma escalada acentuada da violência por parte de colonos em todo o território ocupado.
Dois palestinos foram mortos a tiros por forças israelenses em Beit Furik na quinta-feira (23), depois que colonos teriam incendiado campos e veículos pertencentes a palestinos, segundo relatos locais.
Outros dois palestinos foram mortos dias antes na vila de Deir Jarir, perto de Ramallah, durante uma incursão de colonos, segundo autoridades de saúde palestinas.
Fonte: CNN Brasil
