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Flávio Bolsonaro define Alfredo Gaspar como vice em chapa puro-sangue

Presidenciável fez anúncio durante coletiva de imprensa que realizou em Brasília, na sede do PL, na capital federal

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Foto: HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), terá o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa para as eleições presidenciais de 2026. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (5/8), durante coletiva de imprensa realizada em Brasília (DF).

Em seu primeiro discurso como candidato a vice, Gaspar ressaltou o fato de ser uma “pessoa nordestina, mas honrada”. “O Brasil estaria muito melhor servido com as senhoras [Tereza Critina e Daniella Marques], mas quis o destino um soldado do Nordeste. Terei lealdade e gratidão. Terei a coragem de enfrentarmos juntos a corrupção, o crime organizado, essa economia em frangalhos”, afirmou.

Segundo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, Flávio e Rogério Marinho, seu coordenador de campanha, já tinham escolhido Gaspar há seis meses. “Não sei como não vazou isso aí. Não tem um vice melhor para nós do que o Alfredo Gaspar”, pontuou.

O anúncio encerra uma das principais indefinições da candidatura de Flávio. O senador foi oficializado como candidato ao Palácio do Planalto no dia 25 de julho e deixou o evento sem vice e sem aliança nacional formal com outra legenda.

A campanha decidiu estender as negociações até o prazo final do calendário eleitoral — hoje é a data limite para convenções partidárias, período em que os partidos escolhem formalmente candidatos e deliberam sobre a formação de coligações nas disputas majoritárias.

Disputa pela vice

A busca por alianças do filho 01 de Bolsonaro esbarrou na resistência de partidos do Centrão em declarar apoio formal à candidatura de Flávio. Nas convenções partidárias, as principais legendas associadas ao Centrão oficializaram ou mantiveram a neutralidade na disputa pela Presidência da República.

A estratégia inicial do PL era utilizar a vaga de vice como principal instrumento para atrair partidos de centro e ampliar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A expectativa era apresentar a chapa completa durante a convenção nacional que oficializou a candidatura de Flávio, em 25 de julho, mas as negociações se estenderam até o último dia e acabaram sem sucesso.

Nos últimos dias, o partido tentou fechar uma aliança com Republicanos, Podemos e a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. As conversas, porém, não avançaram.

As legendas decidiram não declarar apoio formal a nenhum candidato ao Palácio do Planalto, o que levou o PL a optar por uma chapa formada apenas por integrantes da sigla — chamada de “puro-sangue”.

  • União Brasil e Progressistas (PP): Unificados na Federação União Progressista, os dois partidos liberaram seus diretórios e candidatos nos estados para apoiar o candidato à Presidência que melhor convier às suas alianças regionais.
  • Republicanos: Anunciou formalmente em sua convenção nacional que não lançará candidato próprio, não indicará vice e adotará postura neutra no plano nacional.
  • Podemos: Também optou pela neutralidade e pela liberação de seus quadros estaduais, sem formalizar apoio no primeiro turno.
  • MDB: Mantém a diretriz de não fechar coligação nacional no primeiro turno, deixando o apoio livre aos seus governadores e bancadas.
  • Federação PSDB/Cidadania: Segue posicionamento neutro sem integrar formalmente coligações de cabeça de chapa no âmbito nacional.

Vaivém

Ao longo das negociações, Flávio chegou a cogitar nomes de outros partidos para ocupar a vice. A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos, era a favorita do senador para a vaga. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também recebeu convite para integrar a chapa, mas a direção nacional do PP rejeitou a possibilidade de composição.

Com o avanço da possibilidade de uma chapa “puro-sangue”, o PL passou a discutir alternativas dentro da própria legenda. Além de Rogério Marinho, foram cogitados os nomes das deputadas federais Bia Kicis (PL-DF), Júlia Zanatta (PL-SC) e Priscila Costa (PL-CE).

A demora na definição levou o partido a estudar a possibilidade de manter a vaga de vice em aberto mesmo após o encerramento das convenções. Nos bastidores, dirigentes chegaram a cogitar delegar à executiva nacional a decisão e concluir a composição da chapa até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.

Pauta bolsonarista

Enquanto tenta romper o isolamento político, Flávio passou a reforçar a identificação com o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas últimas semanas, o senador intensificou a presença nas redes sociais, retomou críticas a adversários e voltou a defender pautas associadas ao bolsonarismo.

Também passou a reproduzir estratégias usadas pelo pai, como as transmissões ao vivo nas noites de quinta-feira, formato que Jair Bolsonaro manteve durante o período em que ocupou a Presidência.

Flávio também voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmar que sofre perseguição e recuperar temas que marcaram o discurso do ex-presidente. Recentemente, por exemplo, voltou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas.

As mudanças ocorrem em meio à avaliação de membros da campanha de que a estratégia adotada durante parte da pré-campanha, de apresentar um perfil mais moderado, não produziu o resultado esperado. Segundo aliados, a postura enfraqueceu a identificação com parte da militância bolsonarista e também não ajudou a destravar as negociações com partidos do Centrão.

Fonte: Metrópoles

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