INTERNACIONAL
EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana
Estudos e informações da imprensa americana indicam que os EUA gastaram uma quantia importante de armamentos em operações de ataque e defesa contra o Irã. Entenda as consequências.
Os Estados Unidos usaram uma parcela significativa de mísseis empregados em operações de ataque e defesa, de acordo com informações obtidas pela agência Reuters e um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). A redução nos estoques levantou preocupações sobre a capacidade de resposta do país em possíveis conflitos futuros.
▶️ Contexto: Reportagem da agência Reuters publicada na terça-feira (4) revelou que os EUA utilizaram “praticamente todo” o estoque de mísseis de precisão de longo alcance durante a guerra contra o Irã.
- Os mísseis escassos são, principalmente, armas superfície-superfície do Exército, conhecidas como Sistemas de Mísseis Táticos (ATACMS) e Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM).
- Dados do CSIS indicam ainda que os EUA utilizaram grande parte do estoque de mísseis Patriot e THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), usados para interceptar ataques.
- As Forças Armadas também teriam usado um terço do estoque de mísseis Tomahawk, um dos principais armamentos de ataque dos EUA.
Segundo o jornal The Washington Post, a baixa nos estoques irritou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cobrou o secretário de Guerra, Pete Hegseth, pelos números. Fontes disseram ao jornal que o presidente teria se sentido enganado ao conhecer a situação real dos estoques.
Ainda de acordo com o Washington Post, a situação teria levado Trump a desistir de realizar um ataque em larga escala contra o Irã no início de agosto. O presidente nega as informações do jornal e afirma que os EUA possuem “quantidades enormes de munições”.
Segundo o CSIS, os Estados Unidos ainda possuem cerca de 2.000 mísseis Tomahawk, o que representa uma redução de 33% em relação ao período anterior à guerra contra o Irã. Já o estoque de ATACMS seria de cerca de 900 unidades, uma queda de 10%.
Mas os dados que mais chamam a atenção são os dos mísseis interceptadores. Os EUA tinham 2.330 mísseis Patriot antes da guerra contra o Irã. Agora, de acordo com o CSIS, seriam cerca de 800. No caso dos THAAD, o número caiu de 452 para cerca de 250.
O mestre em Ciências Militares Paulo Roberto da Silva Gomes Filho explica que essa redução pode representar um problema para os Estados Unidos, principalmente em relação aos mísseis interceptadores, responsáveis por repelir ataques.
“Essa é uma capacidade fundamental, porque esses mísseis são os únicos capazes de interceptar mísseis balísticos; por isso, trata-se de uma vulnerabilidade bastante grande”, explica.
“Qualquer país que tenha mísseis balísticos, como China, Rússia, Coreia do Norte ou Irã, apresentaria uma ameaça aos Estados Unidos no caso de uma carência de armamentos dessa natureza.”
Fonte: g1
