AMAZONAS
Amazonas tem pior nota entre estados da Amazônia Legal na proteção a defensores ambientais, revela estudo
Estado recebeu 14,8 pontos no Índice de Democracia Ambiental que analisou mais de 100 indicadores relacionados à transparência, participação social, acesso à Justiça e proteção de ambientalistas.
O Amazonas ficou em terceiro lugar no Índice de Democracia Ambiental entre os nove estados da Amazônia Legal, mas teve o pior desempenho no indicador que avalia a proteção a defensores ambientais. O estado recebeu 14,8 pontos nesse quesito, segundo estudo desenvolvido pelo Instituto Centro de Vida e pela Transparência Internacional – Brasil, que analisou mais de 100 indicadores relacionados à transparência, participação social, acesso à Justiça e proteção de ambientalistas.
No resultado geral, o Amazonas somou 43,8 pontos e foi classificado como regular. O estado ficou na terceira posição, atrás de Mato Grosso, que teve 56,7 pontos, e do Pará, com 55,3.
O índice busca medir o compromisso das instituições públicas com a garantia de direitos relacionados ao meio ambiente. A avaliação considera quatro dimensões: acesso à informação, participação pública, acesso à Justiça e proteção dos defensores ambientais.
Segundo o pesquisador, ambientalista e diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, o indicador mostra como as instituições públicas lidam com a participação da sociedade e com a proteção de pessoas que atuam na defesa do meio ambiente.
Falta de proteção
Para ambientalistas, a falta de proteção é um dos principais desafios enfrentados por quem denuncia crimes ambientais e cobra medidas de preservação.
Jô Farah, ativista e representante da ONG ambiental Mata Viva, afirma que defensores ambientais podem ser vistos como obstáculos por grupos interessados em explorar áreas naturais.
“Ambientalista costuma ser visto por quem quer destruir o meio ambiente como inimigo. Até mesmo o poder público de certa forma vê o ambientalista como inimigo, porque ele impede que uma rua seja construída, ele tenta impedir que o desmatamento aconteça para a construção de um condomínio, ele denuncia obras que, embora desencilhadas, estão poluindo, estão destruindo.”
Segundo o ativista, a falta de transparência sobre decisões relacionadas ao desmatamento também dificulta o trabalho de quem atua na defesa da floresta.
“Os critérios pra desmatamento são muito obscuros. E quando a gente procura saber sobre o que foi que justificou a perda de um determinado fragmento florestal, não se tem resposta. Apenas informam que foi licenciado e que já está autorizado e que aquela floresta vai desaparecer.”
Fonte: g1 AM
