AMAZONAS
Amazonas pede aeronaves ao Governo Federal após Bombeiros combaterem 16,4 mil focos de incêndio
Estado solicita duas aeronaves com capacidade para transportar 3,2 mil litros e reforço de equipes federais para áreas de difícil acesso; Operação Tamoiotatá também será ampliada para a Região Metropolitana de Manaus
Diante do avanço das queimadas e das dificuldades de acesso a áreas atingidas pelo fogo, o Governo do Amazonas solicitou apoio do Governo Federal com o envio de aeronaves para reforçar o combate aos incêndios florestais no estado. O pedido ocorre em meio à estiagem e após o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizar atuação em 16.470 focos de incêndio entre 1º de julho e 23 de setembro.
A solicitação prevê a locação de duas aeronaves de combate a incêndios florestais, com atuação nas áreas consideradas críticas até o final de novembro de 2026. O pedido foi encaminhado pelo Corpo de Bombeiros, no dia 18 de setembro, ao Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O objetivo é complementar a estrutura já mobilizada pelo Estado, principalmente em pontos onde as características geográficas do Amazonas dificultam ou impedem a chegada de equipes por veículos ou embarcações.
Aeronaves podem transportar 3,2 mil litros
Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, as aeronaves solicitadas possuem capacidade para transportar 3.200 litros, permitindo atacar incêndios em áreas de difícil acesso.
“No contexto do enfrentamento aos incêndios florestais durante o nosso verão amazônico, nós solicitamos apoio de aeronaves que transportam 3.200 litros e podem ajudar sobremaneira o enfrentamento a essas ocorrências, principalmente em locais de difícil acesso, em que uma viatura não consegue chegar, que a embarcação não consegue chegar”, explicou.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também solicitou à União o envio de equipes, recursos e meios aéreos por meio do Projeto Pegasus, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Operação será reforçada perto de Manaus
Enquanto aguarda o apoio federal, o Governo do Amazonas prevê iniciar na próxima semana uma nova etapa da Operação Tamoiotatá, desta vez concentrando parte dos esforços na Região Metropolitana de Manaus.
Equipes da Sema, Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) vão reforçar o monitoramento e a resposta às ocorrências. Parte do efetivo será direcionada para Manaquiri, Autazes, Careiro e Careiro da Várzea.
Até agora, a Tamoiotatá vinha concentrando sua atuação principalmente no sul do Amazonas, região que costuma apresentar grande quantidade de incêndios durante a estiagem.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Miqueias Santos, afirmou que as medidas são tomadas a partir do acompanhamento dos focos de calor e da qualidade do ar.
“Nossas ações são contínuas. Monitoramos os dados de qualidade do ar e os focos de calor para tomar as medidas certas no momento certo. O decreto de proibição do uso do fogo, a expansão da Operação Tamoiotatá e o pedido de apoio federal são respostas diretas”, declarou.
Fiscalização contra uso ilegal do fogo
O Ipaam também mantém a Operação Alerta Fogo, destinada especificamente à fiscalização do uso ilegal do fogo. As equipes estão divididas em dois eixos: Iranduba, Manaus, Manacapuru e Novo Airão; e Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Silves, Itapiranga e Itacoatiara.
Os fiscais utilizam viaturas equipadas com internet via Starlink e drones, permitindo comunicação e monitoramento mesmo em regiões com cobertura limitada de telefonia.
O Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, proíbe por 120 dias o uso do fogo no Amazonas, ressalvadas as exceções previstas na legislação. Segundo as informações divulgadas pelo Estado, 153 brigadistas florestais também atuam nos municípios considerados prioritários.
Estiagem deixa 18 municípios em emergência
O cenário das queimadas ocorre simultaneamente ao agravamento da estiagem. Conforme boletim da Defesa Civil estadual informado no material divulgado pelo Governo, 18 municípios estão em situação de emergência, 19 em alerta e cinco em atenção.
Estão em emergência Amaturá, Atalaia do Norte, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Careiro, Carauari, Eirunepé, Envira, Itamarati, Jutaí, Manacapuru, Maués, Novo Aripuanã, Presidente Figueiredo, São Paulo de Olivença, Tefé e Tonantins.
Em 2026, a Defesa Civil também informa ter distribuído 167 kits de purificadores de água do projeto Água Boa para municípios amazonenses, buscando garantir acesso à água potável principalmente às comunidades afetadas pela cheia e pela estiagem.
O pedido de auxílio à União amplia a estratégia de cooperação entre diferentes esferas de governo no enfrentamento a incêndios florestais. Em anos anteriores, documentos oficiais do Amazonas já registravam atuação conjunta de órgãos estaduais e federais no combate às queimadas e aos efeitos das secas severas.
Fonte: Fato Amazônico
