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Fracasso na execução de Christa Pike reacende debate sobre pena de morte nos EUA

Condenada por assassinato, americana recebeu duas doses de fármaco letal e sobreviveu; governador suspendeu execuções no Tennessee

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Foto: Tennessee Department of Correction
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A tentativa de executar Christa Pike no Tennessee terminou sem a morte da condenada e reacendeu o debate sobre a pena capital nos Estados Unidosnesta semana. Ela recebeu duas doses de um fármaco letal na última quarta-feira, 30, mas sobreviveu ao procedimento e permanece hospitalizada em estado crítico.

Aos 50 anos, Christa estava no corredor da morte havia quase 30 anos. Ela foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos, em 1995. A execução seria a primeira de uma mulher no Tennessee em mais de 200 anos.

Segundo testemunhas ouvidas pelo jornal britânico The Guardian, a condenada continuava respirando cerca de uma hora após a primeira aplicação e apresentava sinais de vida. Um de seus advogados, Randy Spivey, estava na sala de execução e classificou o episódio como “cruel e torturante”. Ele afirmou ter contado sete tentativas de introduzir agulhas apenas no braço esquerdo dela.

Sandra Babcock, especialista em pena de morte da Cornell Law School e integrante da equipe jurídica de Christa, também falou ao jornal britânico. Para ela, o que ocorreu foi “inimaginavelmente bárbaro” e exige responsabilização. A advogada defendeu ainda que a pena de morte seja convertida em prisão perpétua.

O estado de saúde da condenada e a eventual extensão de danos cerebrais provocados pela falta de oxigenação ainda não são conhecidos. Os advogados afirmaram que os médicos continuavam avaliando o quadro.

A tentativa frustrada desta semana foi a segunda execução malsucedida no Tennessee em cinco meses. Em maio, o procedimento contra Tony Carruthers foi interrompido depois que a equipe responsável não conseguiu estabelecer um acesso intravenoso. Ele recebeu uma nova data para execução, em maio de 2027, de acordo com o The Guardian.

O episódio envolvendo Christa também provocou novas críticas à forma como a pena de morte é aplicada nos Estados Unidos. Bryan Stevenson, advogado especializado em casos de pena capital e fundador da Equal Justice Initiative, afirmou ao jornal que uma série de problemas registrados em execuções recentes já deveria ter levado a uma suspensão dos procedimentos.

“Quase uma dúzia de execuções malsucedidas nos últimos anos deveria ter suspendido as execuções há muito tempo”, disse Stevenson.

Helen Prejean, freira católica e uma das principais ativistas americanas contra a pena de morte, também classificou o episódio como uma demonstração de crueldade. Ao Guardian, ela afirmou que a situação submeteu a condenada a um sofrimento prolongado e defendeu que o caso leve a uma reflexão mais ampla sobre a pena capital.

O governador Bill Lee determinou uma revisão independente do procedimento e interrompeu as execuções no Tennessee até o fim do ano. A investigação deverá analisar as circunstâncias que levaram à interrupção da execução e os procedimentos adotados pela equipe responsável.

A suspensão ocorre em um momento de aumento do número de execuções nos Estados Unidos. Em 2025, 47 pessoas foram executadas em 12 Estados, o maior número registrado no país em 16 anos, segundo dados citados pelo Guardian.

Ao mesmo tempo, o apoio à pena de morte entre os americanos diminuiu nas últimas décadas. Segundo uma pesquisa do Gallup citada pelo jornal, 52% dos entrevistados atualmente apoiam a pena capital para pessoas condenadas por assassinato, ante 80% em 1993.

A última suspensão nacional das execuções ocorreu em 1972, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou, no caso Furman v. Georgia, que a aplicação da pena de morte era arbitrária. A prática foi retomada quatro anos depois.

Fonte: Estadão

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