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Família palestina é expulsa de casa pela segunda vez por colonos de Israel

Mais de 100 colonos estiveram envolvidos em ataque contra palestinos na Cisjordânia, alguns invadiram a residência e a incendiaram

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Foto: REUTERS/Shir Torem
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Dois meses depois de colonos israelenses os terem expulsado de sua casa, uma família palestina finalmente conseguiu retornar para casa durante a noite – apenas para ser atacada novamente pelos colonos.

Mais de 100 colonos israelenses estiveram envolvidos no ataque de terça-feira (29) à família Tubasi – alguns invadiram a casa e a incendiaram.

Este é o mais recente episódio de uma série de violências de colonos na Cisjordânia contra palestinos – e, por vezes, também contra as forças armadas israelenses – que se tornaram quase diárias –, uma escalada que tem gerado crescente condenação internacional.

A questão também está se tornando um foco das próximas eleições gerais de Israel, com o principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Gadi Eisenkot, culpando as ações por uma “política [governamental] perigosa”.

A casa de Mahmoud Tubasi em Jalud, no norte da Cisjordânia, foi sitiada por colonos no início do verão. Depois de mais de um mês, ele e sua família foram finalmente forçados a sair no final de julho, contou Tubasi à CNN.

Após várias tentativas de reaver sua casa por meios legais, Tubasi foi informado pelo órgão que coordena as ações entre as autoridades israelenses e os agentes de segurança palestinos que ele finalmente poderia retornar.

Escoltada de volta pela polícia e pelo exército israelenses na manhã de terça-feira (29), a família passou pelos colonos que haviam ocupado a casa anteriormente, agora acampados em uma tenda do lado de fora. A própria casa estava em desordem.

Pouco depois, mais de 100 colonos invadiram a casa, atacando a família, bem como os policiais que estavam dentro, e forçando-os a sair. Os colonos então incendiaram o prédio e o carro da família.

Moradores das proximidades filmaram a cena da base da colina, registrando a casa em chamas e a fumaça subindo para o céu noturno. Imagens gravadas mais tarde, ao amanhecer, mostraram a casa destruída, carbonizada e enegrecida por dentro e por fora.

Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que soldados e policiais trabalharam “para dispersar os manifestantes israelenses e proteger os moradores da região”.

O comunicado acrescentou que dois suspeitos foram detidos depois que “mais de 100 israelenses… bloquearam estradas, atearam fogo em pneus e atiraram pedras contra as forças de segurança”.

Três policiais de fronteira sofreram ferimentos leves e um veículo das forças de segurança foi danificado no ataque, segundo o comunicado, que acrescentou: “As forças de segurança condenam veementemente qualquer dano causado a agentes de segurança no exercício de suas funções, bem como atos de vandalismo e danos à propriedade”.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse à CNN que estavam “cientes desses relatos e mantêm diálogo regular com parceiros sobre como melhorar a estabilidade e a segurança na Cisjordânia”.

“Condenamos a violência criminosa praticada por qualquer grupo na Cisjordânia e apoiamos investigações adequadas, responsabilização legal e processos judiciais para os responsáveis”, acrescentou o porta-voz.

Netanyahu, no entanto, continuou a minimizar os ataques diários de colonos, chamando-os de obra de um “punhado de arruaceiros”. Ele condenou os “tumultos violentos” da noite anterior, embora não tenha mencionado os ataques contra palestinos, dirigindo-se apenas aos ataques contra as forças de segurança.

“O pequeno grupo de manifestantes violentos não representa a comunidade de colonos cumpridores da lei na Judeia e Samaria”, disse ele, usando o nome bíblico para a Cisjordânia.

Os colonos que realizaram o ataque em Jalud durante a noite são o mesmo grupo que sitiou a casa de um palestino-americano na aldeia vizinha de Qusra no mês passado, segundo moradores locais. Os colonos estabeleceram um posto avançado ilegal na área e atacam palestinos quase diariamente.

Nos últimos três anos, dezenas de assentamentos ilegais de colonos israelenses foram aprovados pelo governo israelense.

A organização israelense Peace Now, que monitora os assentamentos, denunciou os “dois pesos e duas medidas” do governo israelense.

“Isto não é uma minoria, não é um punhado e não são ervas daninhas. Esta é uma grande e organizada milícia terrorista judaica, apoiada e financiada pelo seu governo, operando a partir de postos avançados e fazendas que vocês legalizaram e permitiram”, disse o grupo em um comunicado.

Fonte: CNN Brasil

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