AMAZONAS
Calote eleitoral: 300 ativistas digitais e 22 lideranças denunciam falta de pagamento na campanha de Marcelo Amil
Cerca de 300 ativistas digitais e 22 lideranças afirmam que ainda não receberam pelos serviços prestados durante a campanha eleitoral de Marcelo Amil, candidato a deputado estadual pelo Republicanos no Amazonas. Os trabalhadores denunciam um suposto calote e cobram o pagamento dos valores que dizem ter sido acertados durante a contratação.
Segundo relatos encaminhados ao Portal Correio Amazonense, o grupo foi contratado para atuar durante 45 dias na divulgação digital da candidatura. Além das atividades nas redes sociais, os denunciantes afirmam que eram obrigados a comparecer a reuniões e eventos de candidatos majoritários ligados à campanha.
Após o período de trabalho, os ativistas dizem continuar sem uma resposta concreta sobre quando receberão pelos serviços prestados. A denúncia envolve aproximadamente 322 pessoas, somando os 300 ativistas digitais e as 22 lideranças mencionadas pelos trabalhadores.
O caso levanta questionamentos sobre as condições de contratação, o cumprimento dos acordos firmados e a responsabilidade pelo pagamento das pessoas que participaram das atividades eleitorais.

DivulgaCandContas registra doação de R$ 60 mil do Republicanos para Marcelo Amil
Outro ponto que chama a atenção na prestação de contas eleitoral é o registro de uma doação de R$ 60 mil da Direção Nacional do Republicanos, conforme informação apontada na consulta ao sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral.

Na mesma prestação de contas, segundo os dados informados à reportagem, consta um lançamento de R$ 6.850 relacionado a Júnior Printes, identificado como coordenador de campanha eleitoral.

Os registros financeiros ganham relevância no contexto das denúncias apresentadas pelos trabalhadores, que afirmam ter cumprido os serviços contratados e continuam cobrando os pagamentos.
A doação de R$ 60 mil e o lançamento de R$ 6.850 são registros distintos. A existência desses valores na prestação de contas, por si só, não demonstra que os recursos tenham sido destinados ao pagamento dos ativistas nem comprova eventual irregularidade financeira. O questionamento central dos denunciantes permanece: por que os trabalhadores afirmam não ter recebido pelos serviços prestados?

Júnior Printes é citado em denúncias de ameaças e ofensas
Além das reclamações financeiras, os trabalhadores apontam Júnior Printes, identificado como coordenador da campanha, em relatos de suposto tratamento autoritário durante as atividades eleitorais.
Segundo os denunciantes, áudios atribuídos ao coordenador contêm gritos, ameaças, ofensas verbais e palavras de baixo calão dirigidas a integrantes da equipe.
Os trabalhadores classificam as situações relatadas como assédio moral e afirmam que o comportamento teria provocado constrangimento entre os participantes da campanha.
Os áudios mencionados serão apresentados como parte do material reunido para a apuração jornalística. A análise das gravações deverá considerar o conteúdo integral, o contexto das conversas e a identificação dos interlocutores.
As acusações são graves e precisam ser apuradas. Júnior Printes deverá ser procurado para apresentar sua versão sobre os episódios relatados.

Áudios revelam tratamento agressivo contra ativistas, segundo denunciantes
Nos áudios apresentados pelos denunciantes, Júnior Printes, apontado como coordenador da campanha, é acusado de se dirigir aos integrantes da equipe em tom agressivo e ameaçador, utilizando expressões ofensivas e palavrões. Entre as frases atribuídas a ele estão “bando de caralhos”, “quando o salário de vocês for pela metade”, “não quero ninguém nessa” e “façam os 12 dessa porra”, além de “vou mandar se fuder”.
Segundo os trabalhadores, as gravações evidenciam o clima de pressão a que a equipe teria sido submetida durante as atividades eleitorais. Os denunciantes afirmam que a postura do coordenador provocava constrangimento e intimidação entre os ativistas, que agora também cobram os pagamentos pelos serviços prestados.

OUÇA OS AUDIOS DE COMO OS MILITANTES ERAM TRATADOS POR JR PRINTES
O TOM DE AGRESSIVADE ERA COMUM DO COORDENADOR JUNIOR PRINTES
Mãe solo afirma que precisa receber pelos dias trabalhados
Entre as pessoas que afirmam aguardar o pagamento está uma ativista que relatou à reportagem ser mãe solo e ter duas crianças autistas em casa.
Segundo o relato, ela quer receber pelos dias em que trabalhou na campanha. Para a trabalhadora, a remuneração representa um compromisso financeiro decorrente do serviço que afirma ter prestado.
“Eu sou mãe solo, tenho duas crianças autistas que dependem de mim e trabalhei acreditando que receberia pelo serviço que prestei. Não estou pedindo favor, estou cobrando aquilo que é meu por direito. Tenho contas para pagar, meus filhos precisam de mim e cada dia sem receber torna tudo mais difícil. Eu cumpri minha parte, trabalhei durante a campanha e só quero receber pelos dias que trabalhei. O que eu peço é respeito e que honrem o compromisso que assumiram comigo.”
A situação relatada evidencia o impacto que a falta de pagamento pode ter na vida de pessoas que dependem de sua renda para manter as despesas familiares.
A trabalhadora cobra o cumprimento do acordo e uma resposta sobre quando poderá receber os valores pendentes.

Lideranças sendo pressionadas pelos miltantes
Uma das lideranças envolvidas afirma que também passou a sofrer pressão e ameaças de militantes que cobram o pagamento pelos serviços prestados durante a campanha. Segundo o relato, as cobranças recaem sobre pessoas que participaram da mobilização, mas que não teriam autonomia para resolver as pendências financeiras. A liderança pede que os responsáveis pela campanha se posicionem e apresentem uma solução para os pagamentos, destacando que os trabalhadores querem receber pelos serviços realizados e que a situação tem provocado desgaste e conflitos entre os próprios integrantes da equipe.
“Nós, lideranças, também estamos no meio dessa situação e estamos sendo pressionados pelos próprios militantes, que cobram uma resposta sobre o dinheiro que têm a receber. Essas pessoas confiaram no nosso trabalho e aceitaram participar da campanha acreditando que os compromissos seriam cumpridos. Agora, estamos tendo que lidar com a indignação de quem trabalhou e não recebeu, enquanto também enfrentamos cobranças e ameaças. Não somos nós que podemos simplesmente resolver tudo sozinhos. Queremos uma posição dos responsáveis pela campanha, uma solução para os pagamentos e respeito a todos que se dedicaram a esse trabalho.”
O que diz a legislação sobre a contratação em campanhas eleitorais?
A contratação de pessoas para atividades de campanha possui regras específicas na legislação eleitoral.
O artigo 100 da Lei nº 9.504/1997, conhecida como Lei das Eleições, estabelece que a contratação de pessoal para prestar serviços em campanhas eleitorais não gera, por si só, vínculo empregatício com o candidato ou o partido contratante.
Isso, porém, não elimina a necessidade de observar os compromissos assumidos na contratação. Se houve acordo para a prestação de serviços mediante pagamento, a existência e o cumprimento dessa obrigação podem ser examinados à luz dos documentos, das mensagens, dos comprovantes e das demais circunstâncias do caso.
A legislação eleitoral também prevê, no artigo 100-A da mesma lei, regras e limites quantitativos para a contratação de pessoal destinado a atividades de militância e mobilização de rua. O Tribunal Superior Eleitoral regulamenta esses limites, inclusive para as eleições de 2026. A aplicação dessas regras depende da natureza das atividades efetivamente realizadas e dos dados da campanha.
“A gente se dedicou, saiu de casa, cumpriu as atividades e acreditou no compromisso que foi feito com a equipe. Agora, estamos tendo que correr atrás de algo que deveria ser cumprido sem precisar de tanta cobrança. É revoltante trabalhar por 45 dias e não saber quando vai receber. Nós temos nossas responsabilidades, nossas famílias e nossas contas. Não estamos pedindo nenhum favor, queremos apenas receber pelo trabalho que realizamos. Nosso esforço durante a campanha precisa ser respeitado.” disse uma das ativistas digitais
Trabalhadores cobram respostas
Os ativistas e as lideranças querem uma definição sobre os pagamentos e cobram esclarecimentos dos responsáveis pela campanha. Entre as principais reivindicações estão o cumprimento dos acordos, a apresentação de uma previsão para a quitação dos valores e uma resposta às reclamações encaminhadas à coordenação.
O grupo também espera esclarecimentos sobre os episódios relatados nos áudios atribuídos a Júnior Printes.
Proposta de pagamento por meio de rifas gera questionamentos
Em mensagem enviada no dia 6 de outubro de 2026, uma pessoa envolvida na mobilização eleitoral apresentou uma proposta de arrecadação por meio da venda de rifas de um iPhone como forma de ajudar lideranças que alegam pendências relacionadas ao trabalho de campanha.
Na mensagem, o remetente afirma que pretende comprar o aparelho e distribuir rifas para que as lideranças façam a venda. Ele declara que a iniciativa seria uma forma de ajudar pessoas específicas e sustenta que já teria contratado e pago os líderes, mas que não conseguiria fazer mais do que estava propondo.
A proposta prevê a venda das rifas por R$ 10 cada, com os participantes ficando com o valor arrecadado. A quantidade de bilhetes destinada a cada pessoa e a relação entre a arrecadação e os valores eventualmente pendentes precisam ser esclarecidas.
O material também contém uma crítica relacionada à Zona Leste de Manaus, questionando o custo de mobilizar cerca de 300 pessoas diante de uma votação mencionada de 84 votos na região. Os números precisam ser confrontados com registros oficiais antes de serem apresentados como dados confirmados.


Marcelo Amil, Republicanos e coordenador serão procurados
O Portal Correio Amazonense buscará o posicionamento de Marcelo Amil, do Republicanos e de Júnior Printes sobre as denúncias de falta de pagamento, as condições de contratação dos ativistas, os registros financeiros mencionados e os episódios relatados nas gravações.
O espaço permanecerá aberto para esclarecimentos e direito de resposta.
