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Censura à Imprensa: Jornalistas denunciam proibição de gravações no Hospital 28 de Agosto

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Manaus (AM) – O que deveria ser um espaço de transparência e prestação de contas à sociedade tem se transformado em cenário de intimidação e censura. Profissionais da imprensa denunciaram que estão sendo proibidos de gravar na área externa do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. Em alguns casos, jornalistas afirmam ter sido coagidos e até empurrados por seguranças, que agiram com uso de força para retirá-los da frente da unidade de saúde.

A medida estaria sendo adotada como uma forma de restringir a divulgação de denúncias sobre o colapso e o descaso na saúde pública do Amazonas.

O fato, além de grave, representa uma clara violação à liberdade de imprensa, direito consagrado na Constituição Federal. O artigo 5º, inciso IX, assegura que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Já o artigo 220 reforça que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”.

“Impedir jornalistas de exercerem sua função, ainda mais em local público, pode ser interpretado como um ato autoritário e até ditatorial. A imprensa tem o papel constitucional de fiscalizar e informar a sociedade, e qualquer tentativa de bloqueio é uma afronta direta à democracia”, destacou um advogado consultado pela reportagem.

Na prática, impedir jornalistas de registrar denúncias do colapso da saúde pública significa calar a voz da população que sofre com o descaso do governo do Amazonas. É um ato que fere o princípio democrático e pode ser comparado a práticas ditatoriais, típicas de regimes que tentam controlar a informação e impedir a fiscalização do poder público.

“Estamos em pleno século XXI, em um país que se diz democrático. Impedir a imprensa de trabalhar é um retrocesso inaceitável e uma afronta ao povo brasileiro”, desabafou um dos profissionais expulso da área externa do hospital.

Questionados sobre a ação, os seguranças afirmaram estar apenas cumprindo ordens da empresa AGIR, organização social que atualmente administra o Complexo de Saúde 28 de Agosto.

Apesar da gravidade dos fatos, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (SJPAM) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) ainda não se manifestaram oficialmente sobre o episódio. O silêncio das entidades aumenta a sensação de abandono da categoria, que luta diariamente para exercer sua profissão em meio a riscos e pressões.

O Brasil, além da Constituição, é signatário de acordos internacionais como o Pacto de San José da Costa Rica, cujo artigo 13 garante a liberdade de expressão e comunicação, proibindo censura prévia. Restringir o trabalho da imprensa é ir contra esses compromissos e manchar a imagem do país no cenário internacional.

Em um momento em que a sociedade clama por transparência, calar jornalistas é calar a própria democracia. O episódio no 28 de Agosto não pode ser tratado como algo banal: é um ataque frontal à liberdade de imprensa e um alerta para todos aqueles que defendem os princípios democráticos no Brasil.

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Mantido por Jhony Souza