POLÍTICA
Vorcaro diz que proposta de delação se resume a pessoas do ‘atual governo’, sem citar financiamento de ‘Dark Horse’ e envolvimento com políticos
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que a delação premiada que pretendia fazer tinha como objetivo denunciar pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”.
O banqueiro, no entanto, não citou a possibilidade de contar sobre sua relação com demais autoridades políticas e a participação que teve no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, disse.
As informações foram reveladas pelo jornal o Estado de São Paulo e o blog teve acesso à íntegra do depoimento prestado por Daniel Vorcaro ao juiz do gabinete do ministro André Mendonça.
Mendonça é relator do processo envolvendo o caso Master no STF. O depoimento foi prestado a um juiz auxiliar que acompanha o caso, do ministro após um pedido dos advogados do ex-dono do Banco Master.
“O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, diz o gabinete do ministro.
🔎Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras. A PF estima que o esquema teria desviado ao menos R$ 12 bilhões no BRB, mais de R$ 40 bilhões no FGC e outras centenas de milhões em fundos de previdência de estados e municípios.
Nesta quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quarta-feira (2) o arquivamento de denúncias feitas por Daniel Vorcaro e afirmou que o banqueiro não apresentou provas durante o depoimento.
“[…] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas”, diz a PGR.
Sem apresentar provas, Vorcaro fez leituras pessoais e desconectadas do devido processo legal até mesmo de sua prisão.
Ele disse que entendeu a prisão dele como uma intimidação. No depoimento, Vorcaro ainda afirmou que teria desistido de seguir com a delação por se sentir ameaçado pelo que ele chamou de “pessoas do poder”, que, segundo ele, o querem ver preso.
“Desde que eu fui preso… Na verdade, a minha prisão, no meu entendimento, ela já foi uma intimidação para que eu não externasse os fatos que eu desejava falar desde o começo dessa operação”.
Entretanto, a defesa do dono do Banco Master apresentou uma delação ao Ministério Público em 15 de junho deste ano, que foi rejeitada por não conter novos elementos suficientes sobre o caso para que o acordo fosse fechado.
Essa interpretação foi feita por ele sem qualquer respaldo jurídico, sem apresentar provas e após ter delações negadas e ter a prisão confirmada por colegiado no Supremo.
Fonte: g1
