AMAZONAS
Fios em passarela dificultam passagem e trazem riscos à população
Além de todos os problemas urbanos encontrados na maioria das cidades brasileiras, andar pelas ruas de Manaus exige atenção redobrada para um “obstáculo” extra: os fios de postes caídos sobre passarelas, calçadas e ruas da cidade. Só em 2021, duas pessoas já morreram eletrocutadas após tocarem em fios elétricos na capital amazonense.
O problema é recorrente em todas as áreas de Manaus. Em uma passarela da avenida Djalma Batista, uma das mais movimentadas da cidade, os pedestres precisam abaixar a cabeça para não cruzarem com um emaranhado de cabos de telefonia.

A passagem, utilizada por centenas de pessoas diariamente, fica em frente a uma escola particular, e próxima a estabelecimentos comerciais e três shoppings centers da região. A representante comercial Márcia Silva, de 38 anos, afirma que andar pela passarela é um perigo.
“Eu morro de medo de encostar nesses fios, mas como trabalho no shopping aqui da frente, preciso usar [a passarela] para chegar à parada de ônibus e voltar para casa. O pior é que, às vezes, me distraio e só vejo esses cabos quando já estou bem perto. Às vezes até me assusto, inclusive. Todo mundo tem que se abaixar para poder passar por esses fios, senão fica difícil”, afirma Maria.
Durante rápida caminhada pela avenida, na quarta-feira (8), a equipe de reportagem do EM TEMPO flagrou, pelo menos, dez postes que apresentavam fios de telefonia e até elétricos desencapados e caídos próximos à calçada.
Um deles está localizado em uma parada de ônibus, próximo a um Shopping Center, com alto fluxo de pedestres e usuários de ônibus. A dona de casa Carla Pimenta, 56, relata que a situação causa ainda mais preocupação quando se está na companhia de crianças.
“É um absurdo a gente ter de andar com esse monte de fios solto. O pior é quando estamos com criança, que está sempre querendo mexer em tudo. E esse problema não é novidade, pelo contrário, faz muito tempo que eu observo esses cabos caídos aqui no chão”, relata Carla.

Segundo a engenheira civil e técnica em eletricidade Keili Araújo, no topo dos postes está a rede de alta tensão, que distribui energia das subestações da Amazonas Energia, com tensão a partir de 13.800 Volts, abaixo estão os cabos da rede de baixa tensão, com 380 Volts. E, mais perto do chão, estão os cabos de telefonia, com apenas um Volts.
A especialista diz que apesar do nível de tensão dos cabos de telefonia ser considerado pequeno e com baixo potencial para ocasionar choque, o risco de acidente continua existindo.
“É um risco considerável, porque o cabo de telefonia, apesar de ser de extra baixa tensão, não deixa de ser um condutor de metal e justamente por isso, caso ele tenha contato com algum fio da rede elétrica energizado e desencapado, isso poderá ocasionar sim um choque elétrico e a vítima pode até morrer”, explicou.

