POLÍCIA
Cinco pessoas envolvidas em invasão e lichamento de suspeito de estupro têm prisões revogadas
Mãe de criança vítima de estupro e morte era uma das presas e foi solta. Ela é uma das pessoas que estão sendo julgadas por invasão e linchamento em Jutaí
Vitória Assis Nogueira, mãe de Lailla Vitória, teve a prisão preventiva revogada durante a Audiência de Instrução, realizada nesta segunda-feira (7), por videoconferência, do caso de invasão da 56ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) em Jutaí e morte por linchamento de Gregório Patrício da Silva, 48 anos, ocorrido em setembro de 2024. Além de Vitória, mais quatro réus também tiveram a prisão revogada.
Gregório foi preso no dia 20 de setembro daquele ano, suspeito de estuprar e matar Lailla Vitória, de um ano e seis meses, filha de Vitória Assis. As investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual (MPE-AM) apontaram que a mulher incentivou a invasão da unidade policial que resultou na execução do suspeito. Gregório foi retirado do lugar pela população, linchado e teve o corpo queimado. Mais 15 pessoas também foram presas por envolvimento no fato e vídeos gravados por testemunhas registraram o momento.
“Depois da última testemunha de acusação ser ouvida, a defesa requereu a revogação da prisão preventiva de Vitória e dos outros quatros réus, com seus respectivos advogados. O Ministério Público opinou favorável à soltura, considerando que no ambiente de 16 réus, apenas cinco estavam presos. Pedimos a extensão do status liberdade deles, pois já haviam passado mais de oito meses desde a prisão até a audiência”, explicou o advogado Vilson Benayon, responsável pela defesa de Vitória.
A mulher estava presa preventivamente há oito meses no Centro de Detenção Provisório Femenino (CDPF), situado no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus. Uma nova audiência será marcada com data a ser informada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). “E como a audiência foi redesignada, o juiz reconheceu o excesso de prazo e também reconheceu por bem a soltura dos réus. Uma liberdade condicionada no termo do artigo 319 do Código do Processo Penal”, detalhou Benayon.
Na época do crime, a população jutaiense, revoltada com o crime, cercou e invadiu o prédio da delegacia daquela cidade (distante 751 quilômetros em linha reta de Manaus), durante o interrogatório de Gregório. Agentes de segurança pública tentaram coibir a ação dos populares, mas, o suspeito foi retirado da unidade policial e morto em via pública. Os réus postos em liberdade seguem arrolados no processo. “Foram mais de 11 testemunhas de acusação ouvidas hoje, entre, policiais civis, militares e guardas municipais de Jutaí e mais de 11 horas de audiência”, explicou o advogado.
Fonte: Acrítica
