POLÍCIA
Contradições marcam acareação entre banqueiro e ex-presidente do BRB em investigação de fraudes
Um acareação realizado pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no final do ano passado revelou divergências significativas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A diligência, determinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), integra o inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master e a tentativa de aquisição de seus ativos pelo BRB.
Durante os depoimentos, Vorcaro afirmou que comunicou ao BRB, durante as negociações, que as carteiras de crédito da empresa Tirreno, associada ao Banco Master, teriam origem em investimentos de terceiros e não pertenciam integralmente à instituição. “A gente anunciou que faria a venda de originadores terceiros. A gente chegou a conversar que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria originada de terceiros, não mais originação própria”, declarou.
Em contrapartida, Paulo Henrique Costa apresentou uma versão distinta, indicando que foi informado de que os créditos eram de propriedade do Master. “No meu entendimento, eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas com terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente [BRB]”, disse o ex-presidente do BRB. As investigações da PF apontam a Tirreno como uma empresa de fachada, utilizada para simular operações de compra e venda de créditos.
A investigação sobre o Banco Master tramita no STF desde dezembro do ano passado, após decisão de Toffoli. A transferência para a Corte se deu em razão da menção a um deputado federal nas apurações, garantindo foro privilegiado aos envolvidos.
Daniel Vorcaro e outros indivíduos foram alvo da Operação Compliance Zero em novembro de 2025. A operação, conduzida pela PF, visa apurar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, além da tentativa de compra da instituição pelo BRB. As fraudes investigadas podem alcançar a cifra de R$ 17 bilhões. Em decorrência dos indícios de irregularidades, o Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central.
