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URGENTE: Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê após identificar risco de contaminação bacteriana

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A crise envolvendo a marca Ypê ganhou novos capítulos nesta sexta-feira (15), após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) formar maioria para manter a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de diversos produtos da empresa por risco de contaminação microbiológica. A decisão atinge detergentes, sabões líquidos e desinfetantes produzidos pela Química Amparo, fabricante da marca.

Segundo a Anvisa, a medida foi tomada após inspeções realizadas na fábrica da empresa, localizada em Amparo, no interior de São Paulo. Os fiscais identificaram uma série de irregularidades consideradas graves nos sistemas de produção e controle de qualidade da indústria. Entre os problemas encontrados estavam corrosão em equipamentos, falhas em tanques de armazenamento, resíduos de produtos retornando para linhas de envase e acúmulo de sujeira em áreas da produção.

O ponto que mais preocupou os técnicos da agência foi a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca. A bactéria é considerada oportunista e pode representar riscos principalmente para pessoas imunossuprimidas, idosos fragilizados, pacientes em tratamento médico, pessoas com queimaduras, feridas abertas ou problemas dermatológicos.

A resolução publicada pela Anvisa determinou o recolhimento de produtos com lotes terminados em número 1. A decisão, segundo os diretores da agência, possui caráter preventivo e cautelar, diante do que classificaram como “riscos sanitários ainda não superados”.

Durante a sessão da Diretoria Colegiada, os membros da Anvisa afirmaram que as ações corretivas apresentadas pela empresa até o momento foram consideradas insuficientes para garantir a segurança dos consumidores. Um dos diretores chegou a afirmar que “esperar certeza absoluta do dano, em matéria sanitária, significa agir tarde demais”.

A repercussão aumentou após denúncias revelarem que a multinacional Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, já havia alertado a Anvisa meses antes sobre possíveis contaminações microbiológicas em produtos da Ypê. Documentos apontam que análises laboratoriais teriam identificado a presença da mesma bactéria em detergentes e lava-roupas da marca ainda em 2025.

As denúncias indicam que a Unilever realizou testes internos e acionou órgãos reguladores após encontrar “desvios microbiológicos relevantes” em diferentes linhas de produtos. Os relatórios também mencionam risco potencial à saúde pública e sugerem que teria ocorrido um possível “recolhimento silencioso” de produtos no mercado antes mesmo da ação oficial da Anvisa.

Em meio à polêmica, um caso no Rio Grande do Norte chamou atenção nacional. Uma menina de 10 anos precisou ser internada após apresentar sintomas graves depois de utilizar um detergente da marca pertencente ao lote investigado. A criança apresentou irritações, manchas pelo corpo e sinais de infecção após lavar as mãos com o produto. O caso segue sob investigação das autoridades de saúde, que ainda apuram se existe relação direta entre o quadro clínico e o detergente utilizado.

Especialistas afirmam que o risco para pessoas saudáveis é considerado baixo na maioria dos casos, mas alertam que a bactéria pode causar complicações quando entra em contato com mucosas, olhos, cortes, queimaduras ou pele lesionada. Infectologistas recomendam interromper imediatamente o uso dos produtos afetados e procurar atendimento médico em casos de irritação intensa, febre, secreções ou sinais de infecção.

A Ypê informou que apresentou recurso administrativo contra a decisão e classificou a suspensão como “arbitrária e desproporcional”. A empresa afirma que segue colaborando com as autoridades sanitárias e que a segurança dos consumidores continua sendo prioridade máxima.

Nas redes sociais, o caso rapidamente virou um dos assuntos mais comentados do país. Enquanto consumidores demonstram preocupação e cobram esclarecimentos, grupos políticos passaram a transformar o episódio em disputa ideológica após vir à tona que empresários ligados à marca realizaram doações eleitorais em 2022.

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Mantido por Jhony Souza