NACIONAL
Proibidos pela Prefeitura de São Paulo desde 2005, saltos radicais seguem sendo oferecidos no Viaduto Sumaré por valores a partir de R$ 89
Morte de uma jovem de 21 anos durante um salto de rope jump reacendeu o debate sobre a atividade. Prefeitura de SP afirma que esportes radicais são proibidos no Viaduto Sumaré, mas praticantes contestam alcance das regras e falam em ‘limbo jurídico’.
A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump no interior de São Paulo reacendeu o debate sobre a prática de esportes radicais em pontes e viadutos. Na capital paulista, a Prefeitura de São Paulo afirma que saltos e outras atividades do tipo são proibidos no Viaduto Sumaré, na Zona Oeste, um dos pontos mais conhecidos da modalidade na cidade. Mesmo assim, empresas seguem anunciando eventos no local pela internet, com ingressos a partir de R$ 89.
Maria Eduarda morreu no sábado (13) após ser lançada de uma plataforma de aproximadamente 40 metros sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu corpo, durante um evento realizado na chamada Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis. Três homens foram presos em flagrante e vão responder por homicídio com dolo eventual.
Na capital paulista, a proibição desse tipo de atividade no Viaduto Sumaré foi adotada pela prefeitura em agosto de 2005.
Naquele ano, a prefeitura proibiu a prática de rapel no então chamado Viaduto Doutor Arnaldo, após um praticante cair de uma altura de 27 metros durante um evento realizado na Avenida Sumaré.
Segundo comunicado divulgado pela própria administração municipal à época, centenas de pessoas circulavam sob o viaduto no momento do acidente, o que poderia ter provocado outras vítimas. Após o episódio, a prefeitura determinou que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) passasse a fiscalizar o local e autorizou o recolhimento de equipamentos em caso de descumprimento da proibição.
A restrição, porém, já teve exceções. Em dezembro de 2014, a própria Prefeitura de São Paulo apoiou a realização da Fun Arena Vertical no Viaduto Sumaré. O evento reuniu atividades de rapel, bungee jumping e tirolesa e contou com apoio da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação (SEME).
Na época, os organizadores afirmaram que a iniciativa buscava retomar, de forma autorizada, atividades que haviam sido proibidas anos antes no local. “Era necessário fazer alguma coisa no Viaduto Sumaré com autorização da Prefeitura, porque até então todo mundo praticava vários esportes aqui, mas sem nenhuma autorização”, afirmou Carlos Cerneve, representante da empresa organizadora na época
Duas décadas depois da proibição, porém, quem passa pelo Viaduto Sumaré ainda encontra praticantes realizando atividades radicais. O local também continua sendo usado para eventos divulgados em redes sociais e plataformas de venda de ingressos (leia mais abaixo).
Proibição
Questionada pelo g1 nesta segunda-feira (15), a Secretaria Municipal das Subprefeituras informou que a proibição continua valendo.
“A realização de saltos e outras atividades de esportes radicais no Viaduto Sumaré é proibida. O local é monitorado periodicamente pela Subprefeitura Lapa, com apoio da Guarda Civil Metropolitana (GCM), para coibir irregularidades e garantir a segurança da população”, afirmou a pasta.
A prefeitura informou ainda que a prática de esportes radicais e atividades de aventura em áreas públicas depende de autorização do poder público municipal e deve seguir as regras previstas na Lei Municipal nº 14.139/2006 e no Decreto nº 51.296/2010.
A administração municipal, porém, disse não possuir dados sobre o número de autuações, fiscalizações ou ocorrências relacionadas à prática no Viaduto Sumaré desde a criação da proibição.
Apesar da posição oficial da prefeitura, anúncios de saltos continuam circulando nas redes sociais e em plataformas de venda de ingressos.
Fonte: g1
