INTERNACIONAL
Israel aprova plano na Cisjordânia que complica criação do Estado palestino
Governo israelense liberou a criação de 3.401 novos assentamentos; ocupação da região é considerada ilegal pelo direito internacional
Israel deu a aprovação final para um plano controverso de construir milhares de novas unidades habitacionais na Cisjordânia, que efetivamente divide o território em dois.
Os planos para assentamentos em E1, uma área a leste de Jerusalém, estavam congelados há décadas devido à oposição internacional, uma vez que tornariam um Estado palestino contíguo com capital em Jerusalém Oriental praticamente impossível.
Mas, ao confirmar o plano, o ministro das Finanças de extrema-direita, Bezalel Smotrich, deixou claro que esse era seu objetivo, afirmando em um comunicado: “O Estado palestino está sendo apagado da mesa não com slogans, mas com ações”.
Ele apresentou a medida como uma resposta de Israel à recente onda de países que anunciaram sua intenção de reconhecer um Estado palestino.
O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou categoricamente qualquer perspectiva de um Estado palestino, posição reforçada em uma resolução aprovada pelo Knesset (Parlamento israelense) no ano passado.
Smotrich pressionou repetidamente Netanyahu para anexar a Cisjordânia ocupada e aplicar a soberania israelense a todo o território.
O que são os assentamentos e por que são tão sensíveis?
Os assentamentos israelenses na Cisjordânia são vilas, cidades e vilas judaicas construídas em terras que as Nações Unidas e a comunidade internacional designaram para um Estado palestino.
Praticamente toda a comunidade internacional vê a expansão dos assentamentos como um obstáculo às negociações entre israelenses e palestinos.
Segundo a Paz Agora, organização que acompanha o crescimento do setor de assentamentos, havia 141 deles na Cisjordânia no ano passado.
O que foi aprovado?
O projeto de assentamento E1, paralisado há décadas devido à forte oposição internacional, conectaria Jerusalém ao assentamento de Maale Adumim, tornando uma futura capital palestina em Jerusalém Oriental praticamente impossível.
Também dividiria a Cisjordânia ao meio, impedindo o estabelecimento de um Estado palestino contíguo.
Na semana passada, Smotrich anunciou a aprovação pendente de 3.401 novas unidades habitacionais na quinta-feira (14), em uma coletiva de imprensa realizada no local da construção planejada.
“Eles falarão sobre um sonho palestino, e nós continuaremos a construir uma realidade judaica”, declarou Smotrich na última quinta-feira. “Essa realidade é o que enterrará permanentemente a ideia de um Estado palestino, porque não há nada a reconhecer e ninguém a reconhecer.”
Reações sobre os planos israelenses
Yisrael Gantz, chefe do Conselho Yesha, que defende assentamentos judaicos na Cisjordânia, nas Colinas de Golã ocupadas e em Gaza, comemorou os planos.
“Estamos em uma manhã histórica que nos aproxima mais um passo da visão de soberania”, declarou Gantz. “Estamos exercendo nosso direito histórico à terra de nossos ancestrais.”
A presidência do Conselho Nacional Palestino criticou duramente o avanço do projeto, descrevendo-o em um comunicado como um “plano sistêmico para roubar terras, judaizá-las e impor fatos bíblicos e talmúdicos ao conflito”.
O presidente da Câmara, Rawhi Fattouh, afirmou que o “plano colonial se enquadra na política de anexação gradual” da Cisjordânia, que é acompanhada pela violência dos colonos contra os palestinos.
A organização israelense de vigilância dos assentamentos “Paz Agora” também foi contundente, considerando o plano “mortal para o futuro de Israel e para qualquer chance de alcançar uma solução pacífica de dois Estados”.
Em um comunicado, a organização afirmou:
“Estamos à beira de um abismo, e o governo está nos impulsionando a todo vapor. Há uma solução para o conflito israelense-palestino e para a terrível guerra em Gaza — o estabelecimento de um Estado palestino ao lado de Israel — e ela finalmente chegará. As medidas de anexação do governo estão nos afastando ainda mais dessa solução e garantindo muitos anos de derramamento de sangue.”
A organização israelense Ir Amim, que monitora os acontecimentos em Jerusalém e arredores, alertou que os assentamentos judaicos de E1 consolidariam permanentemente a ocupação israelense da Cisjordânia, criando uma “realidade de apartheid”.
Também causariam uma “rápida e grave deterioração” nas condições econômicas e sociais dos palestinos, o que levaria a maior instabilidade e violência.
Fonte: CNN Brasil
